Violência contra mulheres
O avanço da mulher no mercado de trabalho e o aumento da sua importância na sociedade não conseguiu reverter uma triste realidade. O número de homicídios ou "feminicídios" (mortes de mulheres decorrentes de conflitos de gênero, ou seja, pelo fato de serem mulheres) tem se mantido estável e nem mesmo a vigência de leis mais severas, como a "Maria da Penha", foram suficientes para reduzir as agressões.
As taxas de mortalidade por 100 mil mulheres foram 5,28 no período 2001-06 (antes da promulgação da lei) e 5,22 em 2007-11 (depois). Estimativas indicam que durante esses dez anos (2001/11) ocorreram mais de 50 mil feminicídios, o equivalente a 5 mil mortes por ano. No Paraná, a taxa apurada foi de 6,49 (por 100 mil), a maior da Região Sul e acima da média nacional.
Outro fator de preocupação é que os parceiros íntimos são os responsáveis por grande parte das ocorrências registradas cerca de 40% de todos os homicídios de mulheres no mundo são cometidos por esse grupo. Se é certo que o aumento da informação contribuiu para que mais pessoas denunciem, o que indica que anteriormente as ocorrências poderiam ser subnotificadas, também é correto afirmar que é preciso a implementação de políticas públicas mais eficazes. Casos de violência doméstica geralmente acontecem contra mulheres dependentes de seus maridos que, em muitos casos, não têm outra opção de vida. Também há casos em que a Justiça não age a tempo de proteger essas pessoas.
Se algumas não têm outras opções, talvez seja por falta de uma educação adequada. Por isso, nunca é demais afirmar que somente a educação contribuirá para reduzir esses índices no longo prazo. Com mais informação, diminuem-se os agressores e as mulheres conseguirão buscar o seu próprio sustento. A implantação de uma rede de proteção às vítimas mais estruturada, com apoio multiprofissional, pode oferecer uma "segunda chance" às vítimas. É importante que o Estado apoie essas mulheres e que trabalhe incessantemente para reduzir as estatísticas.





