Violência contra mulher é cultural
Casos recentes de violência contra mulheres, como um estupro coletivo em Curitiba e um sequestro em Joaquim Távora (Norte Pioneiro), chocaram a sociedade paranaense. O que chama a atenção, além da gravidade dos crimes, é que na maioria das vezes os autores são ex-companheiros das vítimas.
Para a antropóloga e professora do departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Marlene Tamanini, as raízes da violência contra namoradas, esposas e ex-companheiras é cultural. O problema é que o machismo ainda está muito presente na sociedade brasileira.
"Essa violência é justificada por ciúmes, controle de fidelidade, desconfiança injustificável. (
) É uma questão associada a uma cultura patriarcal focada na honra, por causa da baixa autoestima. Muitos desses homens sofrem de alcoolismo, dependência química. Em geral, têm baixa escolaridade. Em 90% dos casos têm menos de 50 anos, são casados ou em processo judicial de separação e não aceitam essa separação", aponta.
Para Marlene, a proteção das vítimas depende de vontade política. Ela reivindica aumento do investimento em estruturas e em ações públicas para garantir acolhimento às mulheres e, principalmente, punição aos agressores.
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