O Brasil está envelhecendo. A expectativa de vida da população aumentou, puxada pelas melhores condições de vida, como o acesso à saúde, à educação e ao aumento da renda. É um fator positivo, uma vez que aponta para a melhora da qualidade de vida da população. No entanto, uma pergunta básica deve ser feita: o País está preparado para esse envelhecimento? A resposta é negativa.
Além de enfrentar deficiências graves na estrutura de saúde e na mobilidade urbana, o que tem sido constatado é que nem mesmo os familiares estão preparados para cuidar de seus idosos. Estatística do Disque Idoso, coordenado pela Secretaria Estadual do Trabalho e Desenvolvimento Social, indica que as denúncias de ações violentas e violações de direito contra pessoas com mais de 60 anos aumentaram 22% no Estado. No ano passado foram registradas 2.167 denúncias, contra 1.770 registradas em 2013. Cerca de 30% das denúncias são referentes à negligência e abandono, das quais os próprios familiares são os responsáveis.
É um número alarmante porque indica que os idosos ficam à mercê da própria sorte. Os parentes é que deveriam zelar pelo bem-estar dessas pessoas, mas ao invés disso, em muitos casos são eles os responsáveis pelos abusos. Além da questão comportamental dos brasileiros – que na avaliação de especialista a sociedade valoriza as aparências e a juventude – há também uma perda significativa dos valores éticos e morais. Maltratar, abusar ou agredir pessoas que já foram responsáveis pelo bem-estar e pelos cuidados de seus familiares não podem ser atitudes consideradas normais.
Além de retirar os idosos do convívio familiar, é importante que os agressores sejam punidos. A falta de punição é fator preponderante para que os maus tratos continuem a ocorrer. E, por isso, o papel da sociedade é importante. Casos como esses não podem continuar a ser aceitos, é importante que as pessoas denunciem e que cobrem ações efetivas das autoridades.

mockup