Violência contra crianças também está aumentando
Diferentemente da maioria dos casos de violência sexual envolvendo mulheres adolescentes a adultas, as agressões contra crianças são praticadas por pessoas conhecidas, nornalmente do próprio meio familiar. Em Londrina, desde a implantação do Projeto Sentinela, em fevereiro deste ano, 102 casos de violência sexual contra crianças foram notificados, sendo que apenas dois foram praticados por pessoas desconhecidas. O mês de outubro também registrou recorde, com 16 ocorrências, o maior número mensal desde o início do programa. No último levantamento, as estatísticas apontaram que os principais agressores são vizinhos, seguidos de padastros e pais.
Pelo Sentinela, as crianças de 1 a 12 anos vítimas de violência sexual e física recebem atendimento adequado no Pronto Atendimento Infantil (PAI), incluindo medicação necessária para evitar Aids, entre outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). O projeto ainda prioriza o apoio psicológico às crianças e famílias, atendendo também adolescentes.
Segundo a coordenadora do projeto, a psicóloga Telcia Lamônica de Azevedo Oliveira, um dos grandes desafios é a efetivação da denúncia. ''Raramente a própria criança violentada procura ajuda. Para ela, é muito difícil entender a diferença entre carinho e abuso. E como o abusador normalmente tem laços afetivos com a criança, há condições de se praticar a violência psicológica, dizendo coisas como 'se você contar, o papai vai preso, não vai mais trazer comida para casa...'', comenta Telcia.
As denúncias dos casos de violência, de modo geral, são feitas por avós, médicos de postos de saúde e funcionários de creches, ao perceberem alterações suspeitas no comportamento da criança. A queixa pode ser anônima e feita no Conselho Tutelar, pelo telefone gratuito 1407 (plantão 24 horas), e no Sentinela, pelos telefones 3336-2003 e 9992-0309.





