Violência contra crianças
Proteger a infância e a adolescência é dever do Estado e deveria ser de toda a população. No entanto, o que fazer quando os agressores estão dentro de casa e são parentes da vítima? Ato público realizado final de semana em Londrina tentou chamar atenção para o problema. Somente na cidade, levantamento do Centro de Referência Especializado de Assistência Social indica que dos 1.216 casos atendidos neste ano, 58% são referentes à violência sexual contra crianças e adolescentes.
Os dados assustam porque do total dos registros, 62% foram praticados por membros da própria família; em 43% dos casos, os autores da violência foram os genitores. Além disso, os demais atendimentos são referentes a agressões físicas, negligência e situação de risco. Portanto, o levantamento mostra que a violência tem partido de pessoas que são da confiança das crianças e que deveriam protegê-las. E, nesse caso, o que fazer se os próprios adultos não têm condições de criar bem os seus descendentes?
Uma das primeiras atitudes a ser estimulada é a denúncia. Somente a partir da notificação do caso é que se conhece a real situação e pode-se trabalhar no desenvolvimento de políticas públicas mais efetivas. É consenso que há muitos outros casos que sequer chegam ao conhecimento das autoridades. Em seguida, é importante que sejam lançadas campanhas de conscientização. Os adultos têm que estar conscientes dos prejuízos provocados ao desenvolvimento de crianças e adolescentes e dos traumas, que podem marcar a pessoa durante toda a sua vida.
Além disso, deve haver punição. O silêncio da vítima e da família e a impunidade acabam por estimular as agressões. A sociedade precisa atingir um nível de maturidade para que esse ciclo de violência seja interrompido. Já que é dever de todos proteger e cuidar da infância e da adolescência, todos deveriam "abraçar a causa" e lutar pelo desenvolvimento sadio desse grupo da população.





