O recente assassinato do garoto Bernardo Uglione Boldrini, de apenas 11 anos, chocou o País. Uma criança que havia perdido a mãe há quatro anos e que vivia em busca de atenção e afeto do pai. Queria ter uma família que cuidasse dele, mas acabou morto, segundo a polícia pela madrasta, uma amiga dela e pelo pai. Se casos extremos como esse causam comoção, é importante que a sociedade saiba que a violência contra crianças e adolescentes tem se tornado recorrente.
Levantamento divulgado pelo governo com base em informações de 83% dos conselhos tutelares do País revela que pais e mães são responsáveis por metade dos casos de violações aos direitos das crianças e adolescentes, como maus-tratos, agressões, abandono e negligência. Desde 2009, dos 229.508 casos registrados, 119.002 tiveram os pais como autores, divididos entre mães (73.392), pais (45.610), responsáveis legais (4.403), padastros (5.224) e madrastas (991).
O quadro é preocupante porque mostra que os principais autores da violência são pessoas da confiança da criança que, ao menos em tese, deveriam protegê-la. Importante frisar que se hoje as pessoas têm mais informação ao denunciar crimes como esses, muitos outros ainda continuam no escuro. São fatos que deixam sequelas irreversíveis em toda a sociedade. Crianças vítimas de violência tendem a reproduzir esse tipo de comportamento quando adultas, além de carregar feridas que podem não se fechar nunca.
Por isso, é importante o desenvolvimento de políticas públicas que sejam baseadas no tripé educação, prevenção e punição. A educação dará resultados somente a longo prazo, mas é a solução mais efetiva. Já a prevenção virá com a melhora da educação da população e seu nível de conscientização. E punição é a resposta mais rápida da sociedade de que crimes como esses não continuarão impunes.

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