Violência contra crianças
Até há alguns anos, o abuso sexual de crianças era um tema tabu na sociedade, tratado como proibido já que grande parte desses maus-tratos acontecem dentro de casa, onde, teoricamente, os filhos, netos e sobrinhos deveriam permanecer protegidos. Porém, a forma de abordagem desse problema vem mudando graças, principalmente, a ação de feministas, psicólogos, pedagogos e autoridades da área de segurança. Denunciar, amparar as vítimas e punir os agressores têm que ser prioridade.
Esse alerta se faz necessário diante dos resultados de uma pesquisa divulgada ontem pelo Ministério da Saúde (MS) dando conta que o abuso sexual é o segundo tipo de violência mais praticado contra crianças de zero a 14 anos. Segundo o estudo, que a Folha de Londrina detalha na edição de hoje, das 14.625 notificações de violência contra crianças e jovens, 35% são denúncias de abuso sexual. Os números pesquisados são do sistema de Vigilância de Violência e Acidentes (Viva), do próprio Ministério, com base em 2011.
A violência sexual ficou em terceiro lugar na faixa etária dos 15 aos 19 anos. Como já apontou outras pesquisas sobre o tema, a maior parte das agressões contra crianças acontece na casa onde elas moram, comprovando que a maioria dos agressores é pais ou familiares.
Além das consequências físicas, os jovens que sofrem violência sexual podem ter problemas, no futuro, com a sexualidade, dificuldade em estabelecer relações duradouras, problemas de autoconfiança e perda da confiança nos adultos, entre outros traumas psicológicos.
O abuso sexual deve ser denunciado com seriedade e não de forma ''espetacular'', como fazem alguns programas de televisão. Não se pode permitir que esse tipo de violência permaneça cercado por uma barreira de silêncio e nem tratar o problema como uma forma de subir a audiência.





