Violência contra as mulheres, uma barbárie
“Não é à toa que as mulheres negras, as mulheres pobres e as que estão sob o manto da religião são as que mais sofrem e morrem”
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de agosto de 2019
“Não é à toa que as mulheres negras, as mulheres pobres e as que estão sob o manto da religião são as que mais sofrem e morrem”
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A civilização humana não pode se considerar civilizada e humana enquanto ostentar números tão graves de casos de violência contra as mulheres. Não podemos tolerar discursos ditos religiosos que excluem as mulheres desse pacto histórico de suposto avanço da trajetória dos seres humanos, distribuídos por diversos povos deste planeta Terra.
As pesquisas têm demonstrado que homens agridem e violentam mulheres pelos motivos mais banais: na maioria dos relatos sem dar nenhuma chance de defesa às mulheres. Não é à toa que as mulheres negras, as mulheres pobres e as que estão sob o manto da religião são as que mais sofrem e morrem.
Para além de um discurso ativista e feminista, é sobre a falta de humanidade que falo. Em nome dos direitos humanos para todos os humanos. As mulheres, de fato, não são iguais. Como aliás, os homens também não os são. Em nome desta diversidade de seres humanos é que venho conclamar. As mulheres, ainda que de diferentes povos, religiões, culturas, condições sociais, etnias, indígenas, ricas, pobres, brancas, empregadas e desempregadas, alfabetizadas ou estudadas, mães e as não mães, deficientes, idosas, as aposentadas, moradoras de palácios ou barracos, religiosas ou não religiosas, as grandes empresárias, proprietárias de terras, ou as que vivem em situações de rua, em assentamentos, as mulheres heterossexuais, as mulheres lésbicas, as avós e as adolescentes, as que vivem de auxílio continuado, as que são cuidadoras e as que são cuidadas por outras mulheres, as mulheres detentas que vivem presas nos presídios... as transexuais, as mulheres negras, as mulheres que sobrevivem sem-terra etc. E as mais diversas mulheres existentes; todas nós mulheres, estamos abraçadas num mesmo laço de herança patriarcal àquele que não poupa nenhuma: da violência, do feminicídio, cometidos por certos tipos de homens.
A despeito desta cultura milenar que recorrentemente atribui poder e superioridade física aos homens, as mulheres são desqualificadas em todo espaço público e privado, por homens e por mulheres brancas, ricas que também excluem suas supostas subalternas, daí é mais difícil ainda combater o preconceito de mulheres para as mulheres – que pensam e agem com atitudes masculinas, apontando o dedo, julgando, caluniando, difamando, condenando, menosprezando mulheres, se esquecendo que também são mulheres. Falta sororidade!!! Falta respeito!!! Faltam políticas públicas que combatam com eficácia esta cruel realidade que nos ronda. Mulheres são agredidas todos os dias e morrem todos os dias.
E acerca desta crescente ineficácia da estrutura republicana, para punir os agressores e assassinos contra as mulheres, em 07/08/2006, foi assinada a Lei Maria da Penha – lei 11.340, que foi o maior avanço no combate à violência contra as mulheres, em todo relacionamento abusivo cometido, estando ou não, no espaço doméstico. A mídia tem divulgado que, na maioria dos casos, a mulher já havia se retirado dos relacionamentos, no entanto, o sentimento de posse, o jugo masculino não admite a liberdade e autonomia das mulheres ao sair destas relações opressivas. Portanto, em pleno século 21, em 2019, devemos alertar as mulheres: denuncie, se afaste do seu agressor, peça ajuda nas delegacias das mulheres, saia deste ciclo de violência que continuará até levá-la à sua morte. As medidas protetivas previstas na Lei 11.340, os processos, inquéritos e condenações precisam ser primeiro acionados pela vítima, a partir das denúncias, para que assim ocorra justiça nos andamentos, nas delegacias, nos tribunais do judiciário. Neste aniversário da lei Maria da Penha, precisamos fazer valer seu anúncio a favor de prevenir e punir quaisquer atos de discriminação e violência contra as mulheres. Grite denuncie...180, 181, 190 junto às delegacias, Ministério Público e nas casas de apoio às mulheres vítimas. Afinal o silêncio perpetua a violência.
SUELI APARECIDA LOPES BRAGA, professora aposentada


