Violência contra as mulheres
A vida moderna e os avanços sociais trouxeram inegáveis benefícios à vida da população, porém não conseguiram erradicar totalmente um comportamento com fortes traços machistas, resquícios de uma cultura equivocada de preconceitos e superioridade. A violência contra a mulher, praticada principalmente por seus companheiros, é uma dessas práticas difíceis de serem extirpadas. Apesar do avanço da legislação, como a Lei Maria da Penha, de punições mais severas e de uma maior divulgação desses casos a Justiça continua registrando milhares de ocorrências todos os dias.
Além disso, as vítimas enfrentam outros problemas: a demora no trâmite de seus processos e a falta de estrutura dos Estados para acolhê-las. O assunto não é novo, mas de muita gravidade. Segundo informações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Violência contra Mulher, o Paraná ocupa a terceira posição no ranking de homicídios de mulheres, com um índice de 6,3 mortes por 100 mil habitantes. O número está bem acima da média nacional, que é de 4,4 mortes. Lidera a relação o Estado do Espírito Santo (9,4), seguido por Alagoas (8,3). Em dez anos (de 2000 a 2010) mais de 43 mil mulheres foram assassinadas no País.
Pelos números expressivos, é preocupante a informação de que a concessão de medidas protetivas no Estado demora no mínimo dois meses, podendo chegar a seis, quando o prazo legal previsto é de, no máximo, 48 horas. Talvez os números citados acima e a posição do Paraná no ranking sejam reflexo dessa morosidade judicial. A situação estadual é de emergência e a princípio parece descabida essa demora. Em situações de risco a agilidade é fator fundamental e, nesse caso, pode salvar vidas.
Investimento do Estado para melhorar as estruturas de atendimento e de proteção às vítimas, agilizar o trâmite dos processos e investir na educação são políticas imprenscindíveis. A sociedade deve avançar e a luta pela igualdade das pessoas não pode ser deixada de lado.





