Casos de violência contra a mulher deixaram estarrecidos os paranaenses neste mês de janeiro de 2013. Duas vítimas tiveram o corpo queimado por ex-namorado e marido, em duas localidades diferentes, Londrina e Curitiba. A moradora da capital não resistiu aos ferimentos e morreu em um hospital. Também em Curitiba, uma enfermeira sofreu estupro coletivo - os três agressores foram contratados pelo ex-marido. O machismo é apontado por especialistas como o principal motivador desses crimes que atingem todas as classes sociais, independente de condições financeiras e nível de escolaridade.
Reportagem publicada ontem pela Folha de Londrina mostrou que 28 mil boletins de ocorrência denunciando casos de violência contra mulheres foram registrados em 13 cidades do Paraná. Levando em consideração a população feminina desses municípios, concluiu-se que uma em cada 80 moradoras relataram um caso de agressão no ano passado.
Sabe-se que o número deve ser ainda maior, pois há ocorrências que nem chegam a ser informadas à polícia. Muito se evoluiu nas últimas décadas quanto a crimes contra as mulheres - a aprovação da Lei Maria da Penha é exemplo disso. Mas, muita coisa ainda precisa melhorar.
A conscientização da população é importante, porém, infelizmente, mudanças comportamentais levam tempo para acontecer. Por isso, a importância do Poder Público agir com eficiência. A Secretaria de Segurança do Paraná anunciou esta semana a implantação da Coordenação das Delegacias da Mulher para melhorar o atendimento às vítimas. Esse grupo terá muito trabalho pela frente.
É necessário garantir que as vítimas sejam recebidas nas delegacias por policiais preparados e engajados em não só preencher o Boletim de Ocorrência (BO), mas tomar providência para que essa queixa realmente tramite no sistema policial e vire inquérito. Vale ainda lembrar que essa garantia deve ser estendida a todas as mulheres dos 399 municípios paranaenses.

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