Violência contra a mulher
A violência contra a mulher foi uma das grandes questões pelas quais as feministas lutaram amplamente, sobretudo do final da década de 70 em diante. O primeiro grande desafio era dar visibilidade a um problema até então considerado de âmbito privado, remetendo-o para a esfera pública, enquanto fenômeno de interesse de toda a sociedade.
Na década de 80, graças à ação política desses grupos, proliferaram no Brasil os serviços de atenção e proteção às vítimas. Naquele momento se destacavam as iniciativas no âmbito da segurança pública e do Judiciário, com ênfase no incentivo às denúncias e na punição dos agressores.
Nos últimos dez anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a reconhecer a violência doméstica como um problema de saúde pública, fato que possibilitou uma série de avanços em termos de estratégias de enfrentamento do problema no campo da saúde.
A crescente produção científica voltada a análise da violência contra a mulher, colaborou bastante com os avanços nesta área, apontando a necessidade de novas concepções dentro de uma visão da integralidade, o que tem resultado na implantação de serviços especializados envolvendo diversas áreas do conhecimento.
Nessa linha de ação, os Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul se destacam como pioneiros na implantação de programas de atendimento às mulheres vítimas de violência sexual e doméstica, visando a prevenção dos agravos à saúde física e mental da mulher.
Estes serviços têm colaborado ainda para a produção de subsídios, através do registro e sistematização de dados qualitativos e quantitativos capazes de aprofundar as causas, a natureza, as dimensões, as características e as consequências dessa violência.
O município de Londrina, que desde 1993 conta com o Centro de Atendimento à Mulher, um serviço da Secretaria Especial da Mulher, que oferece assistência social, jurídica e psicológica a mulheres em situação de violência, acompanha esse avanço em termos de políticas públicas de enfrentamento da violência, lançando hoje, na Maternidade Municipal, o Programa Rosa Viva.
A implantação do serviço, inédito em Londrina, está sendo coordenada pela Secretaria Especial da Mulher, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, e conta com o apoio de diversas instituições, como Instituto
Médico-Legal, Delegacia da Mulher, Hospital da Zona Sul, Hospital Universitário, Prouni e Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.
O objetivo é proporcionar um tratamento humanizado, oferecendo assistência médica e de enfermagem, com a adoção de procedimentos especiais e uso de medicamentos para a prevenção da gravidez e das doenças sexualmente transmissíveis, e ainda acompanhamento social, jurídico e psicológico.
A equipe do programa irá atender 24 horas por dia e estará capacitada para orientar e encaminhar as usuárias para os demais serviços de atendimento como Delegacia e Centro de Atendimento à Mulher.
Essa visão mais ampla de atendimento pode facilitar a recuperação física e psicológica da mulher agredida, com o desenvolvimento da auto-estima e da
autoconfiança, evitando, consequentemente, os agravos à saúde e aos problemas sociais que normalmente decorrem deste tipo de agressão.
Com mais esse serviço, a Prefeitura de Londrina, amplia a sua atuação em termos de políticas públicas direcionadas às mulheres, visando uma assistência integral que implica numa articulação entre as diversas áreas de assistência.
- LYGIA PUPATTO é secretária Especial da Mulher em Londrina





