Março é um mês dedicado às pautas femininas porque o dia 8 foi escolhido pela ONU (Organização das Nações Unidas) para homenagear a mulher, principalmente para marcar aquelas que batalharam por direitos iguais e um mundo mais justo.

Neste mês, órgãos ligados ao poder público de todas as esferas, empresas privadas, universidades e outras instituições aproveitam o momento para promover o debate de temas sobre os direitos da mulher e mostrar histórias inspiradoras de mulheres que fazem a diferença em suas comunidades.

Assim, é muito chocante que em um momento em que a sociedade está debatendo formas de assegurar os direitos das mulheres, casos de violência doméstica vêm a tona, causando uma indignação profunda.

No Paraná, três casos chamaram a atenção. Em Apucarana, na região norte, um homem de 25 anos foi preso no dia 15 de março por tentar matar a sua mulher, de apenas 19 anos. O suspeito teria atropelado e arrastado a companheira por 120 metros enquanto ela segurava no colo a filha de dois anos.

A mulher foi levada em estado grave para o hospital e a criança não se feriu gravemente por que a mãe lançou o bebê justamente para protegê-la.

A outra história, também chocante, aconteceu na zona rural de Itaperuçu, na Região Metropolitana de Curitiba. Na sexta-feira (14), a polícia conseguiu resgatar uma mulher de 23 anos e o seu filho, de 4 anos, que eram mantidos em cárcere privado pelo marido.

O resgate foi possível porque a vítima conseguiu enviar um e-mail à Casa da Mulher Brasileira relatando que estaria sendo mantida em cárcere privado. No relato, ela mencionou que sofria agressões físicas, ameaças e que era monitorada por câmeras de segurança 24 horas por dia.

O marido, de 23 anos, foi preso, autuado em flagrante pelos crimes de sequestro, cárcere privado, dano emocional e ameaça. A mulher e a criança foram encaminhadas para um endereço de acolhimento.

Surpreendeu o fato de que na audiência de custódia, no domingo (16), o rapaz foi liberado. Na ocasião, o Ministério Público do Paraná se manifestou contra a prisão preventiva do homem, mas dias depois, quando o órgão voltou atrás e pediu a prisão preventiva, ele havia fugido.

No começo do mês, em Sarandi, no Noroeste do Estado, a polícia chegou a um suspeito de agressão doméstica após a vítima deixar, em um supermercado, um bilhete pedindo por socorro. “Chama a polícia que ele vai me matar”, dizia a mensagem.

Em Petrópolis, no Rio de Janeiro, outra história bizarra. Uma mulher foi presa por engano, no domingo (16), após procurar a delegacia para denunciar o marido por agressão e pedir medidas protetivas.

Ela foi confundida com uma traficante de drogas, passou três dias presa e foi posta em liberdade após a justiça reconhecer o erro. O nome dela era parecido, mas não igual, ao da criminosa.

Não bastasse a violência doméstica, a mulher foi vítima de mais uma violência, agora, do Estado, que na delegacia não teve a competência de fazer o básico, que é comparar nomes e documentos.

A violência contra a mulher é um problema complexo e por isso é importante que esses casos cheguem ao conhecimento do maior número de pessoas. As vítimas de violência doméstica devem saber como se proteger e como pedir ajuda, assim como a sociedade deve estar preparada para reconhecer uma pessoa em perigo e protegê-la. Não podemos ignorar. Uma situação como as que foram descritas aqui pode estar ocorrendo muito perto de nós.

Obrigado por ler a FOLHA!

mockup