Violência contra a criança
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terça-feira, 17 de dezembro de 2019
Folha de Londrina 
No Brasil, crianças e adolescentes são vítimas de uma sociedade em que a violência faz parte do cotidiano. Na semana passada, um caso chamou a atenção dos londrinense. A história de um menino de oito anos, vítima de maus tratos, supostamente espancado pelos pais adotivos com quem vivia há apenas dois meses. Na tarde de domingo (15), o menino saiu da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Evangélico. Os pais adotivos estão presos e a criança ocupa um leito na enfermaria pediátrica.
A atitude do médico e enfermeira que fizeram o primeiro atendimento ao menino no hospital foi importantíssima para que o crime pudesse ser revelado. O casal levou a criança para o hospital com a justificativa de que ela havia sofrido convulsões. Mas ao ver os hematomas pelo corpo do menino, a equipe médica constatou que se tratava de um caso de agressão, a Polícia Militar foi acionada e os pais encaminhados à delegacia. Na ocasião, assumiram que bateram na criança com a finalidade de "corrigir e disciplinar". Os dois foram indiciados por tentativa de homicídio qualificado, mas ainda cabe à Justiça acatar ou não a denúncia.
O caso do menino de Londrina é um entre as centenas que, infelizmente, acontecem diariamente no Brasil. Segundo levantamento da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), por dia, ao menos 233 crianças e adolescentes são agredidos, sofrem violência psicológica ou são vítimas de tortura no País. Esses dados se referem apenas aos casos notificados, de modo que o número de pessoas de até 19 anos que são alvo de violência pode ser muito maior.
É a primeira vez que a SBP realiza um levantamento sobre o tema e o objetivo é alertar a sociedade e também iniciar uma campanha de orientação para os pediatras. O relatório tem como base dados coletados pelo Sinam (Sistema Nacional de Agravos de Notificação), do Ministério da Saúde, de 2009 a 2017, último ano com informações disponíveis e que contabilizou 85.293 registros. Em todo o período, foram 471.178 notificações.
O objetivo da campanha é que mais profissionais de saúde procedam como os profissionais de Londrina e saibam reconhecer casos de agressão em crianças e adolescentes.
É um crime que acontece em todas as classes sociais e grau de escolaridade. E mais chocante é que, segundo o alerta da entidade, a maioria dos casos ocorre em casa e é praticada pelos pais.
A Sociedade de Pediatria está fazendo a parte dela, mas o Estado brasileiro também deve trabalhar para garantir a segurança à infância. A violência não pode continuar sendo banalizada e muito menos fazer parte do cotidiano do cidadão. É preciso políticas públicas em relação à segurança e também trabalhar para reduzir situações de vulnerabilidade socioeconômica e desestruturação familiar. Não é possível continuar indiferente a um índice tão elevado de agressão a crianças e adolescentes.
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