Henrique Alves Pereira Júnior
Em Londrina e por extensão em nossa Pátria e em outras nações, assistimos, diariamente, a uma onda inacreditável de violência, que atinge pessoas indefesas. Mas esta onda não apareceu de repente. Há muito tempo vem ocorrendo este movimento de complacência e de atitudes permissivas da sociedade, que levam a graves problemas, em consequência da falta e da perda de valores hierárquicos e da tolerância para uma série de fatores. Dentre estes fatores estão: banalização das infrações, cumplicidade com a indisciplina, desejo de se mostrar moderno e aberto – que leva as pessoas a ser condescendentes e falsamente liberais.
A violência urbana instala-se devagar; e, sorrateiramente, pequenos delitos considerados sem importância, ficam sem punição. Por exemplo: quebrar vidraças, arrebentar orelhões, pichar muros, jogar lixo em todo canto, destruir banheiros públicos, agredir torcedores, derrubar alambrados em campos de esporte, fazer tiro ao alvo nas luzes das ruas ou nas placas de trânsito.
Nas escolas, há constrangimento e pressão aos professores, pelos jovens e até por crianças, pela indiferença e incompreensão dos pais, baseados na interpretação errônea de uma lei (Estatuto da Criança e do Adolescente), com princípios tão nobres e outros benevolentes, que contribuem para atingir a autoridade dos mestres competentes e abnegados que se sentem coagidos e desestimulados do papel de educadores e formadores do caráter de todos.
Nos bailes e nas ‘‘festas da elite’’, o consumo de álcool (enaltecido pela televisão), o consumo de maconha, cocaína, anfetaminas etc., corre tranquilamente e de forma tolerada. Quando os bandidos são presos, por tantos policiais bons e por coragem heróica, às vezes morrendo como moscas, a trágica realidade aparece.
O consumo de droga se expande de uma maneira avassaladora; dos pequenos delitos tolerados pela sociedade, o viciado parte para o roubo e o assalto, caindo num círculo vicioso. Para assaltar, ele precisa de droga; assalta porque precisa de dinheiro para drogar-se movamente. Nesse emaranhado do vício, participam delinquentes ‘‘menores’’ e ‘‘maiores’’.
Sei que existem defensores da liberdade das drogas, que o viciado não deve ser tratado como criminoso, que as drogas devem ser fornecidas de forma legal, pois assim a rede de tráfico perde a força e as quadrilhas se estinguem.
Como médico e cidadão, afirmo que com a droga legalizada, os efeitos não vão mudar. A maconha, a cocaína e o crack não vão ficar mais mansinhos. A cola de sapateiro não vai fazer bem aos garotos. A saúde vai ser afetada, a violência e a Aids serão instaladas ainda com mais força. A droga tem que continuar a ser considerada como crime. Os países que liberaram e legalizaram as drogas, suportam danos irreparáveis e devastadores.
Em Zurique (Suíça) existe uma praça mundialmente conhecida como a ‘‘Praça do Pico.’’ É a ‘‘Platzplic’’. Lá os viciados podiam comprar drogas e usá-las abertamente. O Ministério da Saúde distribuía seringas e camisinhas, dava conselhos e alertava sobre os problemas. O projeto começou em 1987, com 200 viciados. Cinco anos depois, foi fechado por imposição do povo, pois o número de viciados atingia a 20 mil. A violência e a criminalidade haviam tornado insuportável a vida em Zurique. A Suíça hoje ostenta o título de campeã dos drogados, acompanhada de perto pela Itália, que adotou política semelhante.
Na Suécia, aconteceu o contrário. Desde 1980, após desastradas experiências, o uso, o porte e o comércio de drogas voltaram a ser considerados crimes. Dois anos depois, o governo determinou que o tratamento dos dependentes de droga passasse a ser obrigatório e responsabilizado. Hoje a Suécia exibe o melhor desempenho, pela rigidez dos métodos e pelo modo como são julgados. A diminuição do consumo foi um sucesso.
O Brasil é um dos esteios do narcotráfico mundial. Por isso, temos de estar atentos às propostas supostamente científicas ou técnicas. Os recursos dos traficantes para enganar, corromper e aliciar são imensos. Não podemos amenizar as punições, sejam relativas ao comércio, ao porte ou ao uso de drogas.
A Nação tem que se organizar para o combate ao vício, à violência e ao crime. O Congresso tem que endurecer as penalidades para os crimes dos traficantes. As nossas famílias têm que tomar uma decisão: serem mais exigentes, mais enérgicas. Vamos deixar de ser prisioneiros do vício e do narcotráfico, darmos as mãos e evitar a disseminação dos males.
O grande defeito da sociedade atual é tudo esperar das autoridades e dos organismos oficiais. Quando a Polícia e a Justiça agem, a desgraça já está instalada e pouco há a fazer, senão reprimir e castigar. Cabe a nós, pais, educadores, rádios, jornais, revistas, televisão, cidadãos em geral, os encargos da prevenção – única e lógica solução.
Vamos impor a velha e nobre orientação que recebemos dos valores hierárquicos que norteiam a família e a Pátria: educação, religião, trabalho, instrução moral e cívica nas escolas, que são a base de toda a cidadania. Se alguém falar que nada disso vale a pena, responda: ‘‘Vale a pena, sim, porque o próximo pode ser o seu filho.’’

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