Apesar do secretário de Estado da Justiça e Cidadania Aldo Parzianello ter descartado na quinta-feira a sugestão da terceirização da guarda da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) e da Casa de Custódia de Londrina (CCL), o prefeito Nedson Micheleti (PT) afirmou sexta-feira que vai insistir no assunto junto ao governador Roberto Requião. ''Ia falar com ele (Requião) ainda esta semana mas ele embarcou ontem (quinta-feira) e vou agendar uma reunião na próxima semana'', disse ele.
O prefeito havia sugerido a medida numa reunião realizada no meio da semana na empresa de fiação Bratac, na zona oeste, ilhada entre bairros onde atuam gangues rivais. No final do mês passado, um funcionário de 27 anos morreu no local atingido por uma bala perdida, enquanto trabalhava. Segundo Nedson, a terceirização liberaria cerca de 60 policiais da guarda para trabalharem nas ruas. Parzianello descartou a hipótese sob alegação de que o governo do estado é contra terceirizações em unidades prisionais.
Nedson afirmou que também deve apresentar ao governador a idéia da inclusão de Londrina como pólo de cursos de aperfeiçoamento da Polícia Militar. ''Essa medida, que hoje só beneficia a capital, traz policiais para o aperfeiçoamento e os cursos têm ações de campo que poderiam ser feitas aqui'', afirma, lembrando da escola da polícia em Ibiporã (14 km a leste de Londrina), que deve ser instalada no ano que vem.
Procurados pela Folha, representantes de várias entidades se manifestaram a respeito do problema da falta de segurança em Londrina. Nos últimos anos, foram lançadas duas campanhas sobre o assunto, que, aparentemente, não alcançaram grande repercussão. O presidente da Associação Comercial de Londrina (Acil), David Dequêch Neto, argumenta que as mobilizações não alcançaram o resultado desejado porque o governo ''tem memória curta''.
''Estas campanhas foram feitas para alertar os governantes, que só agem sob pressão e são os responsáveis pela segurança. Infelizmente, a Acil não tem condições de bancar mobilizações o tempo todo. Agora, o Paraná paga caro para que empresas se instalem no estado e elas acabam indo embora pela falta de segurança'', afirma ele, em referência à Bratac, cujos diretores declararam esta semana que pensam em tirar a filial da empresa de Londrina.
Jorge Brandalize, vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), um dos órgãos que apoiaram as duas campanhas, cita que a entidade nunca deixou de se preocupar com o assunto e que chegou a referendar um estudo do Conselho Comunitário de Segurança, enviado ao governo do estado e que apontava as necessidades de Londrina na área de segurança. ''O que eu estranho é que o prefeito venha pedir que a Bratac não saia da cidade, quando ele próprio não se esforça para conseguir um terreno para o Centro de Detenção Provisória. Está faltando boa vontade do município para fazer sua parte'', critica.
Pedro Marcondes, presidente do Conselho Comunitário, lembra que encaminhou duas vezes a secretários de estado o documento que requer mais 300 PMs e 115 policiais civis para Londrina, além de melhor estrutura para a polícia técnica. ''Mas não obtivemos resposta. Estamos à deriva, à beira do caos'', critica.
Quanto às opiniões do vice-presidente da OAB sobre a indefinição do terreno da Casa de Detenção, Nedson afirma que a posição do município sempre foi a mesma, ou seja, ceder apenas um terreno ao lado da CCL, rejeitado pela Secretaria de Justiça. ''Desde o início, o único que está falando a mesma coisa sou eu'', disse. O prefeito afirmou, ainda, que os autores da crítica devem estar desinformados.
Na quinta-feira, a assessoria da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) informou que o secretário Luiz Fernando Delazari deve apresentar um plano de segurança para Londrina dentro de três semanas. Acrescentou que o problema da falta de efetivo no estado começa a ser contornado com a contratação de 1.300 PMs aprovados em concurso, e a nomeação de 106 policiais civis.

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