Uma ação desastrosa da Polícia Militar de São Paulo que resultou em um episódio trágico e vergonhoso para o Brasil. O Massacre do Carandiru, o maior da história dos presídios brasileiros, completou 25 anos na última segunda-feira (2) sem nenhuma punição pelas 111 mortes de detentos ocorridas na penitenciária que ficava localizada na zona norte de São Paulo e que foi desativada em 2002. A operação policial começou com o objetivo de reprimir uma rebelião no Pavilhão 9. Seis julgamentos ocorreram nesses 25 anos. No primeiro, em 2001, o coronel Ubiratan Guimarães, que comandou a operação, foi condenado a 632 anos de prisão pela morte de 102 dos 111 prisioneiros do complexo. A defesa do coronel recorreu da sentença e ela foi revertida, sendo anulada pelo Tribunal de Justiça em 2006. Os outros julgamentos aconteceram entre os anos de 2013 e 2014. Setenta e três policiais foram condenados pelas 111 mortes a penas que variavam de 48 a 624 anos de prisão. Mas os julgamentos foram anulados no dia 27 de setembro do ano passado por três desembargadores da 4ª Câmara Criminal do Tribunal do Júri, responsáveis pelo recurso da defesa dos réus, entendendo que não há elementos para mostrar quais foram os crimes cometidos por cada um dos agentes. E mais: o relator do processo, o desembargador e ex-presidente do TJ Ivan Sartori defendeu que os policiais agiram em legítima defesa. Mas a batalha nos tribunais não para por aí. Na instância superior, pode-se determinar que sejam realizados novos julgamentos ou os ministros podem invalidar a decisão do TJ de São Paulo e manter a validade do júri popular já realizado. O mais grave é que os culpados por esse episódio vergonhoso têm chances de saírem impunes, pois a anulação do julgamento pode arrastar por mais de 20 anos o processo. O Massacre do Carandiru marcou o Brasil mundo afora por não ter conseguido apontar os autores dessa barbárie, além de refletir a situação de calamidade que toma conta de cadeias e presídios há décadas.

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