'Vim para viver', diz a monja budista Eiko
Quem conhece a monja zen-budista Eiko Seikan Fujiwara, capaz de espalhar por onde passa uma onda de vibração positiva, de calor humano e paz, nem sequer imagina o sofrimento que enfrentou e, especialmente, sua admirável capacidade de superação. Eiko passou 25 de seus 43 anos enfrentando crises recorrentes de depressão, que a levaram a tentar o suicídio sete vezes, a primeira das quais com 15 anos de idade.
Na última tentativa de suicídio, em 1987, entrou em coma e não havia mais esperança de que voltasse, segundo os médicos. Sua família, no entanto, adepta da religião PL (Perfect Liberty), ainda tinha expectativas e reuniu-se para orar. Nesse instante, no hospital, Eiko voltou do coma. Ela conta que sentiu como se alguém houvesse batido em seu peito e tivesse dito: ''Acorda, menina!'' A dor no peito, inclusive, permaneceu por meses, sem que houvesse uma explicação lógica, de algum procedimento médico, por exemplo, sobre o que a teria originado.
Precisando lutar, desde jovem, contra o estigma do suicida, ''um atestado da incapacidade de viver'', conforme explica, e não encontrando meios de expressar sua necessidade de ajuda, buscou respostas por conta própria na militância política, nas drogas e na marginalização quase que auto-imposta, por perceber estar perdendo, dia-a-dia, preciosos valores pessoais.
Nos últimos anos, contudo, conseguiu terminar um curso de enfermagem na UEL e começou a estudar técnicas de massagem terapêutica, avançando, a seguir, pela área da Psicologia Transpessoal. Fez um curso sobre o assunto na Índia, quando, então, teve seu interesse despertado pelo budismo.
Em 1999, participou de um retiro espiritual organizado pelo Dalai Lama representante máximo do budismo que visitava Curitiba. Foi lá que conheceu Mestre Tokuda, seu mentor espiritual até hoje, e decidiu-se a entrar no mosteiro de Lavras Novas, em Minas Gerais, para se tornar monja.
No primeiro ano de mosteiro, quando ainda se assustava com a possibilidade de querer se matar de novo, mestre Tokuda lhe disse: ''Você está criando isso em sua mente''. Eiko compreendeu, então, que, de fato, tudo se resumia a isso, ao que era criado na própria mente. E, assim, aprendeu a deixar o passado no passado e a viver o presente, com total concentração, tal como se apresentava. Aprendeu também a não julgar, especialmente a si mesma, e a não se preocupar com padrões estabelecidos. ''De acordo com o budismo'', comenta, ''o que existe realmente é a impermanência''.
A principal resposta para sua incansável busca veio naturalmente, tempos depois. ''Desde pequena, eu me questionava sobre o que viera fazer na vida'', rememora. ''Hoje, eu sei: vim para viver''.





