A palestra de Ciro Pirondi, ‘‘A poética e a permanência de Vilanova Artigas’’, promovida na PUC-PR recentemente, serviu de motivação para se falar sobre a importância de sua obra. Pirondi, atual presidente da Fundação Vilanova Artigas, anunciou para brevemente o lançamento de livro sobre o arquiteto, a ser editado no Brasil e na Espanha.
João Batista Vilanova Artigas nasceu em Curitiba, em 1915. As limitações desta cidade nos anos trinta, fizeram com que Artigas fosse estudar na Escola Politécnica em São Paulo, diplomando-se em Arquitetura em 1937. Estabeleceu-se, a partir de então, naquela cidade, até seu falecimento em 1985.
Militante político ativo, dedicou-se, no entanto, ao ensino durante toda a sua vida. Em 1968 foi cassado pelo AI-5, no mesmo ano em que o novo prédio da Faculdade de Urbanismo da USP, projeto de sua autoria, foi inaugurado. Com a anistia, voltou para a USP em 1980, quando fez histórica prova para reaver a posição de titular da Escola, de que foi um dos fundadores.
Quando da implantação do Curso de Arquitetura e Urbanismo em Curitiba, em 1962, foi convidado, pelo Presidente da Comissão de Formação, Rubens Meister, para professor. Artigas declinou o convite, mas proferiu diversas palestras em Curitiba e foi paraninfo de uma turma de Arquitetura da UFPR.
O ambiente de discussão sobre a Arquitetura, onde a figura de Artigas foi predominante, marcou a geração de estudantes da USP e do Mackenzie. Entre esses estão alguns dos arquitetos que iriam formar o corpo docente do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR.
Sua trajetória confunde-se com o desenvolvimento da Arquitetura Moderna Paulista, no período em que esta adquire sua melhor expressão. A presença de Artigas no Paraná está marcada de forma direta em projetos em Curitiba e em Londrina, e, de forma indireta, através da influência da sua obra, na formação dos professores do Curso de Arquitetura da UFPR.
A Rodoviária de Londrina (1950), entre outros projetos executados na cidade, é sua obra mais importante no Paraná, tendo sido tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual do Paraná, e transformada em Centro Cultural.
Em Curitiba o Hospital São Lucas (1945), apesar de ter sofrido acréscimos sem a participação de seu autor, mantém os blocos originais, e sua localização em terreno alto e de esquina, ainda é marcante na paisagem urbana.
A Casa Joel Vilanova Artigas (1944), obra da juventude é bem resolvida na utilização de espaços.
Mais significativa é a Casa João Bettega (1952), que contém, em pequena escala, todo o vocabulário de Artigas. Estão presentes elementos característicos de sua arquitetura, como as rampas de acesso aos pavimentos e a distribuição espacial desenvolvida dentro de um mesmo volume.
Vinte anos depois da Casa Frederico Kirchgassner, uma nova casa moderna, de Artigas, foi implantada em um lugar alto da cidade e igualmente criticada pela população.
Em 1978 projetou a Casa Edgard Niclewicz, uma de suas últimas obras. A volumetria, com empena cega em concreto aparente voltada para a rua, tem, na distribuição de espaços internos, os elementos característicos das casas paulistas projetadas nas décadas de 50 e 60.
A arquitetura de Artigas é concepção marcante e original, não deixando de lado a poesia.
A Casa de João Bettega corre o risco de ser demolida, e Curitiba, que soube preservar os imóveis ecléticos construídos até a década de 40, deve conservar suas edificações modernas mais significativas.
Curitiba precisa preservar estas obras do mestre, sob pena de restarem apenas imagens virtuais de sua arquitetura.

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