Vigília cívica contra a corrupção
Diversas entidades e associações civis brasileiras vão realizar no dia 13 de maio um protesto nacional contra a corrupção que assola o País. A Vigília Cívica Contra a Corrupção contará com a participação de várias instituições, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (Ibrades), a Transparência Brasil, a União Nacional de Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon), a Rede Nacional contra o Racismo no Brasil, o Instituto Nacional de Estudos Sócio-Econômico (Inesc), a Comunidade Bahái do Brasil, entre outras.
A mobilização da sociedade civil pela ética na política, mais uma vez evidencia a grave crise moral em que vivemos, não somente na atividade pública, mas também em diversas outras esferas da vida social (na família, na escola, até em instituições ditas religiosas). Hoje, por exemplo, infelizmente, abrem-se igrejas como se fossem estabelecimentos comerciais, muitas vezes, com interesse explicitamente utilitário, de faturar mesmo em cima das carências afetivas da população.
A corrupção é um câncer social que atinge não apenas a política, mas quase todas as atividades humanas. O que fazer, então? É o que a Vigília Cívica contra a Corrupção se propõe a refletir junto com as forças sociais comprometidas com os valores éticos.
Toda esta mobilização é um sinal de esperança para a própria democracia brasileira. Não é possível aceitar a escalada de escândalos estampados quase que diariamente em nossos jornais. Tudo acaba dando um contratestemunho cívico à população, especialmente, aos jovens: desmotivando-os a agirem pelo bem comum. Os maus exemplos (daqueles que fazem de tudo para tirar vantagem) mostram a face perversa do individualismo, com graves consequências sociais.
É importante que a sociedade reaja contra esta forma de agir, não fazendo prevalecer a impunidade. Só assim voltaremos a ter autêntica esperança.
Torçamos para que a Vigília Cívica contra a Corrupção não seja apenas um oba-oba com fins eleitoreiros; mas um movimento sério, que cresça e se fortaleça como uma verdadeira voz da consciência nacional, em defesa da ética e dos valores do bem.
Temos que acreditar que é possível aprimorar nossas instituições democráticas e promover uma mudança de mentalidade capaz de propiciar uma nova postura de vida. As famílias convictas dos verdadeiros valores cristãos, podem e devem dar uma grande contribuição para a renovação que desejamos. Só a afirmação de uma ética que respeite o próximo permitirá o resgate de uma prática política realmente cívica.
Cada um de nós pode dar a nossa contribuição procurando agir com probidade nas pequenas coisas do nosso dia-a-dia. Se não podemos mudar o mundo, nossas atitudes podem, no entanto, promover transformações naqueles que estão à nossa volta e vêem a partir do nosso procedimento que vale a pena viver dentro das regras morais. Precisamos desta coragem de uma ação moral no anonimato, no silêncio, nas realizações mais simples do nosso cotidiano. Se soubermos dar esse exemplo estaremos testemunhando a esperança de um futuro melhor para todos.
Uma vela acesa não dá triunfo à escuridão. Resistamos então com consciência ao câncer da corrupção. Os únicos remédios para combatê-lo são a ética e a moral. Sejamos capazes disso, para que as futuras gerações possam ter do que se orgulhar. O Brasil tem tudo para ser uma grande nação, se souber ser gigante na defesa de uma ética e de uma cultura da vida.
- VALMOR BOLAN é doutor em Sociologia e dirigente de instituição de ensino em São Caetano do Sul
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