Vigilância frágil e clientes inseguros
Praticamente todo brasileiro que utiliza serviços bancários não fica totalmente tranquilo quando sai de uma agência ou caixa eletrônico. Seja em qual horário for, os clientes precisam ficar de olhos bem abertos para não ser atacados logo que dão os primeiros passos do lado de fora das agências ou postos de serviços.
Além dos gatunos mal-intencionados que permanecem à espreita nos arredores dos bancos, no Paraná a clientela das instituições bancárias ainda estão à mercê de outra situação seríssima: as quadrilhas de assaltantes especializadas em explodir caixas eletrônicos. Praticamente toda semana, a FOLHA reporta em suas páginas ocorrências dessa natureza. As explosões são tão violentas que conseguem destruir não apenas os caixas eletrônicos como também agências inteiras. Só no último final de semana foram registrados dois crimes desse tipo: um em Londrina e outro em Mandirituba, na Região Metropolitana de Curitiba.
Não bastasse essas mazelas diárias enfrentadas pelos clientes, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou recentemente que os bancos abram postos de atendimento e agências em qualquer lugar que considerarem haver demanda para tanto e conforme suas estratégias comerciais. Até aí, tudo muito bem. A questão é que se, atualmente, a segurança já deixa a desejar, o que esperar para o futuro? Será que os bancos intensificarão a vigilância que hoje já é deficitária e frágil?
Os profissionais bancários são taxativos e advertem que a livre abertura de novos postos e agências irá agravar ainda mais o problema da falta de segurança, tanto para os clientes como também para os funcionários. Sindicatos dos trabalhadores alegam que hoje os bancos já usam a estratégia de ampliar a rede de serviços - usando casas lotéricas por exemplo - sem que investimentos em vigilância sejam implementados.
Pelo lado dos bancos, o argumento é de que a medida aprovada pelo CMN vai ampliar a oferta de serviços de forma a atender uma grande parcela de brasileiros, que hoje estão excluídos do sistema e sem acesso a crédito e outros serviços ofertados pelas instituições financeiras.
De fato, garantir que todos brasileiros tenham acesso aos serviços bancários é justo e benéfico à economia do país. O que não dá para ignorar é que os clientes precisam usar esses serviços com a segurança necessária. O usuário do sistema precisa, por exemplo, ter assegurado o direito de conseguir entrar na agência, fazer um saque e deixar o local com tranquilidade.





