Como é difícil viver sem precisar saber as horas e dos dias da semana. Refiro-me àqueles que, por força da idade ou doença, não saem de seus pequenos mundos. Em alguns casos, locomovendo-se daqui para acolá, em poucos metros quadrados, sem destino. Ou, simplesmente, em cima de uma cama, impossibilitados de andar.
É difícil abordar o problema. Entretanto, ele aí está, mostrando em cores e ao vivo pelas imagens trazidas de todos os quadrantes do mundo. A população do Universo envelhece. Em alguns países, o nível de idosos alcança a casa dos 50%. Como enfrentar o problema do idoso, que de pronto deve ser desdobrado em vários segmentos?
Primeiro: os idosos abandonados, que perambulam quando podem ainda andar pelas ruas da cidade, esperando a morte que nem sempre chega logo. Em alguns casos, simplesmente saíram de suas casas, não foram encontrados e aí estão, sem memória, convivendo com tantos outros, das mais diversas idades, ainda com memória.
Segundo: os idosos aposentados, recebendo poucos reais, vivendo de favor, podendo andar, indo e vindo simplesmente ao banco, para receber a parca aposentadoria e gastá-la para viver, nem sempre condignamente. Em geral, são vítimas de assaltantes que os atacam e roubam.
Terceiro: neste segmento, estão os aposentados que ainda vivem um padrão razoável, com filhos e família - alguns até com idades bem avançadas - sem possibilidades (a maioria) de reintegração ao mercado de trabalho, simplesmente porque são idosos e a lei os proíbe de continuar a trabalhar.
Isto sem falar nos idosos que estão em asilos, em casas de repouso, bem ou mal tratados, dependendo dos recursos que possuam. É realmente um problema sério que precisa ser enfrentado. Enquanto em outros países o idoso é respeitado, protegido, no Brasil envelhecer é um passaporte para o anonimato, uma passagem de ida para a morte.
Existem exceções, é claro. E o que é mais sério, mais comovente, é exatamente verificar que, à medida que o tempo passa, esses homens e mulheres - que começam a esquecer de cenas atuais - trazem à mente fatos antigos, de épocas em que tinham brilho e participavam das coisas que os rodeavam. Estavam vivos.
E o que fazer com o idoso? Inicialmente, parece-me importante definir o que seja idoso quanto à idade cronológica. Quando começa a terceira idade, como é conhecida a fase em que o indivíduo deixa de ser maduro. Aos 60 anos, será que sou idoso? Ou será que isto acontece aos 70, 80 ou 90?
Para a grande maioria, o homem ou a mulher de 60 anos é um idoso, não obstante algumas cabeças teimem em manter, em corpos com essa idade, posicionamentos e pensamentos jovens. O que deveria ser feito? Preparar o indivíduo para saber envelhecer. Inverteríamos posições: nasceríamos velhos e iríamos rejuvenescendo, com o passar dos anos, de tal maneira que, quando alcançássemos a idade hoje considerada como da velhice, estivéssemos no auge de nossa capacidade física e intelectual.
Dirão alguns que falar de velhice é envelhecer mais rápido. Que o importante é manter a cabeça em atividade para que não se comece a trazer lembranças tardias e omitir fatos recentes. Quando se pára de trabalhar alguns dias, quando se acredita estar em férias para renovar forças e se põe a cabeça a funcionar - maquinando idéias e montando planos para enfrentar novos 365 dias - com certeza somos obrigados a pensar que um dia, talvez amanhã, estaremos também idosos, com ou sem saúde. Esquecendo os fatos presentes e relembrando o passado. De coisas que aconteceram quando éramos jovens, que, com certeza, nos ajudaram a alcançar a idade atual.
Amargura, tristeza. Enfim, o que fazer pelos milhões ou bilhões, no Universo que somos todos nós, que envelhecem e não conseguem mais distinguir os dias, vivendo vidas de dias iguais?

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