Desde 1962, a Igreja Católica no Brasil, através da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mobiliza-se para trazer ao debate nacional um tema social de relevância, apresentando um diagnóstico da situação e indicando possíveis soluções para cada problemática abordada. A Campanha da Fraternidade acaba envolvendo não só os fiéis católicos, mas todas as pessoas de bem, comprometidas com os valores que asseguram a dignidade da pessoa humana, em todos os seus aspectos.
O tema da Campanha da Fraternidade deste ano (primeiro do terceiro milênio da era cristã) e que começa na quarta-feira da próxima semana, aborda a complexa questão das drogas, que afeta milhares de pessoas e famílias em todo o País. O drama das drogas não é só uma realidade nacional, mas, no mundo inteiro, é vivido por todas as categorias sociais (pobres e ricos).
Hoje há um sistema perverso organizado que tira vantagem da vulnerabilidade das pessoas (especialmente dos adolescentes e jovens), aproveitando-se da enorme crise de ‘‘sentido da vida’’ e lucram imensa soma de dinheiro com a produção e distribuição das drogas.
Combater esta megaestrutura não é tarefa fácil, tendo em vista o grande poder de influência dos meios de comunicação, que indiretamente são coniventes com os valores daqueles que se aproveitam para faturar com a venda das inúmeras drogas (lícitas e ilícitas), inclusive o álcool e o cigarro.
‘‘A mídia nos bombardeia com a propaganda de alerta contra os males e perigos das drogas, mas ao mesmo tempo estimula seu uso por meio de filmes, reportagens e matérias nas quais o consumo de drogas parece comportamento normal a ser imitado por quem queira identificar-se com as personalidades da moda’’, diz o texto-base da Campanha da Fraternidade.
E salienta que ‘‘o problema da droga deve, portanto, ser visto dentro do contexto sociocultural e das condições físicas e psíquicas que envolvem seu consumo’’.
Segundo Ligia Formenti, em reportagem no jornal ‘‘O Estado de S.Paulo’’ do dia 19 de setembro de 1999, a ‘‘omissão e o despreparo dos pais são uma ameaça’’ para o trabalho de prevenção contra as drogas. ‘‘O conceito de que a prevenção do consumo de drogas começa em casa é antigo, mas ainda sofre muita resistência entre as famílias. Especialistas garantem que a atitude dos pais de atribuir o problema às más companhias, à escola ou ao temperamento dos filhos é mais frequente do que se imagina.’’ E afirma que ‘‘psiquiatras e psicólogos revelam que, muitas vezes, a família esconde a origem dos problemas dos filhos.’’
Ao escolher o tema das drogas para a Campanha da Fraternidade deste ano, a CNBB tem certeza de que com coragem, determinação e esperança, muito pode ser feito para minimizar as trágicas consequências que a dependência das drogas podem trazer as pessoas e às famílias.
Mesmo sabendo que ‘‘há um enorme exército de produtores, agentes financeiros e traficantes comandando o mundo das drogas, muito dinheiro em jogo, e muita vida desperdiçada’’, não podemos desanimar diante de tão imenso desafio. E acrescenta: ‘‘De nada adianta fugir da realidade. Ao contrário, devemos encará-la de frente para conhecer o drama das drogas em toda a sua complexidade e assim nos colocarmos em posição adequada para enfrentá-lo e superá-lo.’’
- VALMOR BOLAN é doutor em Sociologia, professor e diretor de instituição de ensino em São Caetano
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