VIDA SAUDÁVEL - Tabagismo em xeque
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Thiago Nassif<br> Reportagem Local 
Hoje é celebrado o Dia Mundial Sem Tabaco. Mas não há muito o que comemorar. Um relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) lista o Brasil no ranking dos países que podem registrar, neste século, a morte de mais de um bilhão de pessoas, por conta do cigarro.
Na última terça-feira, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) lançaram novas imagens que vão ilustrar as embalagens de cigarros. A intenção é chocar, por meio de imagens fortes, os jovens. A iniciativa é louvável? Como mudar a postura das pessoas em relação ao cigarro?
Em entrevista à FOLHA, o oncologista Bruno Carvalho de Oliveira, do Centro Especializado em Oncologia e Hematologia (Ceon), de Brasília, responde a essas e outras perguntas, dá dicas de como abandonar o vício e faz a ressalva: sem boa vontade e determinação, fica difícil parar.
O que uma pessoa precisa fazer para parar de fumar?
Trata-se de um tripé: em primeiro lugar, devemos levar em conta a vontade dessa pessoa parar de fumar; na sequência, procurar auxílio médico e, por fim, termos o incentivo governamental por meio de propagandas antitabagistas, mostrando os efeitos e malefícios do cigarro. Essa equação com certeza reduz as taxas de insucesso.
Determinar uma data para parar de fumar é uma boa solução?
Sim. Uma vez estipulada essa data, a pessoa vai dar o primeiro passo, já que se trata de sua primeira vontade. Cerca de 5% das pessoas que têm esse primeiro ímpeto conseguem parar de fato. Os números demonstram que, quando além do ímpeto a pessoa procura um profissional adequado, esse número sobe para aproximadamente 25% de pessoas dizendo adeus ao tabagismo.
A pessoa exposta à fumaça, o fumante passivo, está à mercê das doenças e perigos relacionados a um fumante?
Esse é um tópico muito importante. Ao analisarmos o histórico de 20% a 25% das pessoas que têm doenças pulmonares, como o câncer de pulmão, e nunca fumaram, notamos que elas eram fumantes passivas, convivendo com fumantes há muitos anos. Eis aí um importante fator, principalmente quando analisamos a questão de câncer e enfisemas.
Somos bombardeados, diariamente, por propagandas sobre métodos milagrosos. Eles funcionam?
Os métodos milagrosos não funcionam em nenhuma fase de nenhuma doença e de nenhum tratamento. Em relação ao tabagismo, dentro daquele tripé citado anteriormente, a somatória de vontade e auxílio médico, na questão de antidepressivos, além do auxílio psicológico, que trabalha como essa pessoa pode abandonar o vício, são boas indicações.
O Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) lançaram, na última terça-feira, novas imagens que deverão ser utilizadas em embalagens de cigarros. O que o senhor achou da iniciativa?
Mais do que bem-vinda. As novas figuras, que trazem, por exemplo, um coração que passa por cirurgia e está repleto de restos de cigarro, além dos riscos de infarto, envelhecimento precoce, impotência, entre outros causados pelo tabagismo, têm por objetivo mexer com os jovens, que começam cada vez mais cedo a fumar. Costumo dizer que o bonito de hoje é o problema iminente de amanhã, em se tratando do cigarro.
O que mais uma pessoa pode fazer, uma vez que decida a abandonar o vício?
Tentar ter uma vida saudável. Nuno Cobra diz, em um de seus livros, que uma boa noite de sono é indispensável. Concordo. Evitar bebidas alcoólicas, praticar atividades físicas, principalmente um esporte predileto - o que facilita a deixar o vício -, tirar um dia da semana para se cuidar, repensar rotina e benefícios e preparar-se mentalmente, visualizando todas as benfeitorias de uma vida livre do cigarro são boas ações a serem encaradas, pelos ex-fumantes.


