Cada vez que se perde um amigo, em uma rápida avaliação, chega-se à conclusão de que a vida nada mais é que um fiapo, um fio tênue que nos separa da morte. Principalmente quando a morte ocorre em condições imprevisíveis, súbitas.
Nós que somos contabilistas e que convivemos com números, discutindo diuturnamente que o ativo e o passivo devem bater para que se feche o balanço, não aprendemos ainda que nossas vidas, nada mais são que balancetes que se abrem e fecham com maior ou menor número de meses, tão rápidos em suas mutações, que nem se contam em anos. E o que é pior.
Na luta pelo trabalho, lidando com informações que não nos pertencem e sim aqueles que nos confiam seus serviços, geralmente esquecemos de transmitir nossas informações aqueles que nos cercam e que não obstante conosco convivam anos a fio, não nos conhecem bastante para saber ou sentir, quando estamos mais ou menos preocupados, mais ou menos doentes, mais ou menos felizes. Assim é a vida e assim que avalio quando perco um amigo.
Por que então as questiúnculas, as dissenções, as controvérsias, será que o mundo não seria melhor para todos nós, se estivéssemos sempre acreditando que em podendo morrer amanhã, o melhor é viver hoje da melhor maneira possível? Dirão alguns que a imprevisibilidade da morte é que nos leva a lutar pela vida. Talvez seja uma verdade, entretanto, dentro do meu atual modo de pensar, após sentir a perda de tantos amigos, convenci-me que a morte e a vida são tão próximas, separadas por um tênue fiapo, e que por tudo isso, o importante é curtir o quando vivemos e procurar viver bem, principalmente em harmonia.
É duro perder um amigo. Entretanto, com certeza, entre os vários tipos de morte, a que efetivamente me parece mais compatível, para um companheiro que trabalhava e batalhava, por um ideal, é morrer entre seus amigos e companheiros de luta no campo de batalha como diríamos e, se possível, nos braços desses amigos.
Assim morreu meu amigo. Façamos dessa perda uma bandeira. Vamos procurar das as mãos, juntar esforços, unir nossas forças, evitar rusgas, buscando um lugar comum que na realidade é o que todos almejam nessa vida, sem nos preocuparmos com a morte, que nada mais é que uma etapa, entre tantas outras que já cumprimos e ainda havemos de cumprir.
Morre um amigo. Que de sua perda, tiramos ilações e conclusões. Quem sabe após a perda de tantos amigos, não nos convençamos que nada somos. Simples matéria que como veio se vai, cabendo-nos somente cumprir nossa missão que será maior ou menor, conforme o seja, a nossa destinação. Façamos mais uma vez, da perda de um amigo, um exercício de bem viver e de esperança no dia de amanhã.

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