Vice de Ciro é suspeito de superfaturamento
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domingo, 28 de julho de 2002
Das Agências 
Belo Horizonte O candidato à vice-presidente pela Frente Trabalhista (PPS, PTB e PDT), Paulo Pereira da Silva está analisando, junto com seus advogados, se irá ou não depor na próxima sexta-feira sobre as suspeitas de superfaturamento de R$ 1 milhão na compra de uma fazenda no município de Pirajú (SP), com recursos do Banco da Terra, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), quando ele presidia a Força Sindical, conforme representação administrativa instaurada pelo Ministério Público Federal.
O advogado Antônio Rozella, que representa o sindicalista, confirmou ontem que Paulinho recebeu, na última segunda-feira, em Marília, no interior paulista, uma intimação do procurador da República Célio Vieira da Silva, que apura indícios de irregularidades na negociação imobiliária. A informação foi divulgada na última edição da revista Época.
Rozella justificou a possibilidade de não cumprimento da intimação, afirmando que não teve acesso ao teor da representação administrativa. ''Desde que nós saibamos o que está acontecendo, nós não nos furtaremos aos esclarecimentos'', disse. Em nota oficial divulgada no sábado à noite, a Força Sindical afirma que ''não comprou terras, nem intermediou sua venda'', segundo relatório do próprio MDA.
O advogado garante que a entidade não recebeu nenhum comunicado da Justiça sobre uma representação feita por procuradores federais de São Paulo no Tribunal de Contas da União (TCU), em outubro do ano passado, solicitando a abertura de um processo para apurar um suposto desvio de verbas federais, repassadas pelo Ministério do Trabalho a entidades sindicais. Paulinho, então presidente da Força, é citado como responsável, junto com outros quatro dirigentes sindicais.
Paulinho disse ontem que as denúncias sobre irregularidades que envolvem seu nome, quando ele ainda presidia a central sindical, fazem parte de uma ''armação'' do comitê de campanha do candidato do PSDB, José Serra. ''Isso não é de hoje. Eles armaram isso há muito tempo'', acusou o dirigente. A estratégia de atingir os adversários por meio de uma campanha difamatória na imprensa, segundo ele, vem sendo usada pelo candidato tucano desde o início da campanha. ''Ele arrumou muitos inimigos e destruiu toda a base aliada do governo Fernando Henrique Cardoso''.
O candidato a vice de Ciro Gomes afirmou que advogados da Frente Trabalhista estarão ingressando nesta segunda-feira, no Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, com um pedido de direito de resposta à revista semanal.
O candidato a presidente, Ciro Gomes disse no sábado à noite, em Fortaleza, que o caso deve ser investigado e, caso haja fundamento nas acusações, não terá receio de substituir o vice. ''Vamos encarregar o delegado de polícia, o Ministério Público de fazer o seu serviço. Comigo é o seguinte: quem for podre que se arrebente. Sempre foi assim'', afirmou Ciro.


