Quando presidente da República, o sr. Fernando H. Cardoso, viajou tanto, mas viajou tanto, que ganhou o apelido de ''Viajando'' Henrique Cardoso. A mídia conferiu-lhe tal ''distinção''. Como bom político de oposição, Lula e o seu PT não se conformavam com os exageros das viagens presidenciais - que sempre implicam em gastança e muita mordomia para numerosos assessores. Então criticavam. E com razão.
País carente na área de saúde e necessidades básicas, nenhum brasileiro poderia imaginar outros presidentes viajando tanto. Ledo engano. Um levantamento sobre viagens presidenciais, mostrou que o Presidente Lula não só viajou mais que FHC como viajaria ainda mais em 2010. Pois ontem saiu a informação: Lula programa visitar 21 países de janeiro a julho de 2010. Em seis meses, portanto, 21 viagens. Nem a campanha eleitoral o impedirá.
Para o governo, as viagens internacionais são importantes: relatórios apontam aumento das exportações para dezenas de países visitados ao longo dos últimos sete anos por Lula.
Toda visita de um chefe de Estado resulta em melhor relacionamento com outros povos. Agora dizer que as exportações aumentaram é afirmativa que pede mais dados. Negócios só acontecem quando são do interesse (econômico) dos dois lados.
Vale ressalvar que viagens presidenciais protocolares são diferentes das missões comerciais - chefiadas pelo Presidente - que levam empresários e outros agentes econômicos (que pagam suas despesas) para entabular transações. Não que um presidente não abra caminho para exportações, mas uma viagem diplomática não tem o mesmo peso de uma viagem de negócios.
Culpa do verbo. Políticos brasileiros vivem o vício do gerúndio estigmatizado, mesmo quando a fonética não compatibiliza o som da fala com o som do nome. Então, para nós, o gerundismo é algo que vai além da forma nominal do verbo viajar em perífrases. Os gerúndios aplicados na ação política nos agridem: ''viajando/gastando'' (dinheiro público), ''desperdiçando'' (recursos), ''comprando'' (votos), ''inspecionando'' obras (fazendo comício). E por aí vai. Da Câmara da sua cidade ao Planalto. ''Matando'' (a nossa cidadania).

mockup