No início do mês, o brasileiro Oscar Kodama viajava para o Japão quando, durante escala na França, passou mal e morreu. O laudo do IML francês aponta embolia pulmonar, também conhecida como Síndrome da Classe Econômica. Esse problema é mais comum do que se imagina, embora nem sempre fatal.

Wander Sardinha, cirurgião vascular, diz que no Brasil não há estatísticas sobre o problema, mas, no aeroporto de Londres, um passageiro morre por mês vítima de embolia. No hospital de Narita, próximo ao aeroporto de Tókio, de 100 a 150 passageiros são tratados logo após o desembarque e, desses, 3 a 5% morrem. Ele alerta que pacientes com histórico de trombose que precisarem fazer viagens internacionais podem solicitar de seu médico um atestado e tentar junto às companhias aéreas a troca por melhores acomodações. Confira como ocorre a embolia pulmonar e o que fazer para evitá-la.

O que é a Síndrome da Classe Econômica?
É a manifestação da trombose venosa profunda, que ocorre por formação de coágulos nas veias da panturrilha. Existem três causas de trombose venosa: a estagnação do sangue causada pela inatividade, o trauma da parede da veia e o aumento da viscosidade do sangue.

Quais pessoas têm mais risco de desenvolver trombose?
As mulheres que tomam anticoncepcional, que fazem reposição hormonal ou que estão grávidas. Obesos, pessoas que fizeram cirurgias recentemente, pacientes que tiveram fraturas recentes, pessoas que têm histórico familiar e pacientes com trombofilia, que é uma tendência à coagulação do sangue. Pacientes idosos e com varizes também têm uma tendência maior.

O risco é maior dependendo do tempo de viagem?Sim. Quanto mais tempo a pessoa ficar sem se mexer, pior.

Isso independe do meio de transporte?
Nos consultórios, vemos muitos pacientes que vão fazer viagens longas de ônibus e têm trombose venosa.

Quais são as recomendações para quem precisa viajar muito?
Deve-se fazer exercício de dorso-flexão dos pés, que é levantar as pontas dos pés, caminhar sempre que possível dentro do avião. O uso de meias elásticas é um fator importante pois melhora o retorno venoso. Nos pacientes que têm histórico de trombose venosa anterior ou risco, o cuidado é redobrado. Quem estiver fazendo reposição hormonal, deve suspender um mês antes de fazer uma viagem longa e o ideal seria fazer o mesmo com o anticoncepcional. Esses pacientes que têm trombose venosa, às vezes, têm que usar medicamento. É feito uma injeção, uma ou duas horas antes do embarque e ela tem o efeito por 24 horas.

O AAS é um medicamento válido?
Não, ele não funciona para prevenir trombose venosa.

Quem tem casos na família, precisa se preocupar?
Sim, ele pode estar no grupo das trombofilias, pois algumas são hereditárias. Antes de viajar, deve procurar um cirurgião vascular, tem alguns exames de sangue que detectam se ele tem tendência de ter trombose.

O que podemos considerar como tempo longo para uma viagem?
Não existe um tempo exato.

Bebidas alcoólicas prejudicam a circulação?
O problema da bebida alcóolica é que ela causa desidratação. A falta de líquido aumenta a viscosidade do sangue e isso favorece a trombose venosa. O importante é fazer a hidratação.

A trombose nem sempre é fatal?
Para que você tenha a fatalidade, é necessário que o coágulo se desprenda da panturrilha e vá parar no pulmão e que seja um coágulo grande. Quando ocorre a trombose venosa, um terço dos pacientes pode ter embolia pulmonar, que é a causa da morte. Desse um terço, apenas 2 a 3% vão ter uma embolia fatal.

Quais os sintomas da trombose?
Muitas vezes ela é assintomática. Dor na panturrilha, um pouco de inchaço no tornozelo e o pé pode ficar um pouco arroxeado. Pode haver endurecimento da musculatura da panturrilha, uma dor mais forte, principalmente ao caminhar ou levantar a ponta dos pés, as veias superficiais podem ficar mais dilatadas.

E da embolia pulmonar?
A pessoa pode ter dor toráxica forte, falta de ar e escarro com sangue.

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