Via dupla
de mão
única
Marcos Isfer
O governo do Paraná e as prefeituras de muitos municípios do Estado, que estão investindo em saúde, educação, habitação popular, saneamento e infra-estrutura urbana, têm sido os parceiros ideais do governo federal.
Sem condições operacionais e administrativas, o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso tem feito uso da visão pública dos administradores paranaenses para minimizar, aqui, o grau de reprovação ao seu desempenho como gestor público.
Apesar de encontrar no governo do Paraná e nas prefeituras excelentes parceiros, o governo federal tem sido omisso e displicente com as necessidades do nosso Estado. O Paraná se sente desamparado pelo Palácio do Planalto em vários setores.
O Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná é um exemplo disso. Dependente da ação voluntária de empresários que promovem ações para levantar recursos, o HC é motivo de joguete entre os ministérios da Educação e da Saúde. E nesse jogo de empurra, quem paga a conta é a população paranaense.
Este é apenas um bom exemplo da parceria desigual que o governo federal estabelece com o Paraná e seus municípios. A via de mão dupla, proposta pelo ‘‘novo jeito de governar’’ do presidente FHC, virou pista dupla de mão única no sentido Paraná–Brasília.
A situação de abandono das rodovias federais do Paraná, principalmente na Região Metropolitana de Curitiba, é outra prova incontestável de que o nosso Estado está em desvantagem nessa parceria. As obras do Contorno Sul de Curitiba estão paradas e as do Contorno Leste caminham lentamente. São duas obras de extrema importância para toda a Região Metropolitana de Curitiba e para o Sul do País, que transporta diariamente suas riquezas para mercados consumidores, como Rio e São Paulo.
A Estrada da Ribeira, totalmente abandonada, é mais um esforço na tese de que o Paraná precisa se mobilizar e exigir a contrapartida do governo federal. Alguns dizem que a Estrada da Ribeira é um retrato do governo federal: cheia de lama e buracos. Mas é preciso pavimentar essa rodovia urgentemente. E isso não é uma nova reivindicação nova das lideranças paranaenses. Entretanto, ninguém tem ouvido nossos apelos.
Agora, surge mais uma obra que depende do governo federal para ser iniciada. Trata-se da duplicação da BR-116 no trecho Curitiba–Fazenda Rio Grande. Este é um trecho de rodovia que vem apresentando um aumento considerável no fluxo de veículos e caminhões, fruto do crescimento e do desenvolvimento de toda a Região Metropolitana de Curitiba com o novo advento da industrialização do Paraná.
Várias entidades já estão se mobilizando para reivindicar a inclusão dessa obra no orçamento da União para o próximo ano. Entretanto, precisamos que essa reivindicação seja encampada por todas as lideranças políticas, empresariais e comunitárias do Estado.
O Paraná continua perdendo na parceria com o governo federal porque somos acanhados e tímidos na hora de fazer valer nossos direitos. O Planalto demorou mais de 20 anos para iniciar as obras de duplicação da BR-116 no trecho Curitiba–São Paulo.
Esperamos que não sejam necessárias mais duas décadas para que o governo federal volte a investir na infra-estrutura rodoviária do nosso Estado.
- MARCOS ISFER (PFL) é deputado estadual e secretário de Governo da Prefeitura de Curitiba

mockup