Embora a pesquisa sobre células-tronco embrionárias humanas nunca tenha cessado (especialmente nos Estados Unidos, onde a lei a proíbe em instituições oficiais), o caminho agora está aberto no Brasil para continuidade de tais estudos. A aprovação pelo Supremo Tribunal Federal, depois de um embargo que já durava três anos, foi considerada uma vitória dos cientistas e dos pacientes que venham a ser beneficiados com o fruto das pesquisas. Porque elas se prestarão aos casos de recuperação de neurônios e da visão, insuficiência cardíaca, lesões na coluna, mal de Parkinson e de Alzheimer, diabete, infertilidade, produção de insulina no pâncreas e cicatrização óssea.
Pairava uma disputa, embora não declarada, entre a Igreja Católica e a ciência, pela polêmica sobre o exato momento em que se inicia a vida. Essa questão nunca será resolvida por consenso, por envolver aspectos transcendentes que fogem ao alcance dos próprios cientistas e das religiões. O Brasil poderá ter até o final deste ano a sua primeira linhagem dessas células, somando-se aos 17 países que já têm suas próprias linhagens e aos 25 que já realizamm oficialmente tais pesquisas. A iniciativa privada não veio demonstrando interesse em ingressar nesse campo mas acredita-se que agora mude de posição, em face da aprovação judicial que ora ocorre. De sua parte, o governo já promete investir R$ 25 milhões em 2008 e 2009 no estudo de terapias celulares, sendo R$ 11 milhões para pesquisas com células-tronco. Por enquanto apenas uma promessa de verbas. Com a autorização dada, os cientistas podem pesquisar as células-tronco obtidas de embriões inviáveis ou congelados desde 2002, quando foi aprovada a Lei da Biossegurança.
Pesa agora sobre os pesquisadores e médicos a responsabilidade atinente a esse delicado setor da pesquisa e da aplicabilidade, por envolver pessoas humanas. Eles, prudentemente, não prometem curas imediatas. Mas, de qualquer modo, o ingresso agora oficial nessa empreitada coloca o Brasil entre os países de primeiro mundo na área dos avançados estudos médicos. Pessoas com deficiências físicas - e um grupo delas postou-se diante do Tribunal durante a votação - são as mais esperançosas de melhoras em sua condição.
O momento é de expectativa, no Brasil, sobre o que advirá, mas é certo que uma ávida comunidade de pesquisadores, cientistas e médicos irá apostar todas as fichas nesse extraordinário projeto.

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