VESTIBULAR UNIFICADO - Alunos perderão direito de escolha?
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terça-feira, 05 de junho de 2007
Rodrigo LopesEquipe da Folha 
Curitiba - Um projeto de lei que tramita na Assembléia Legislativa pretende unificar as datas dos vestibulares das universidades estaduais. O autor da proposta, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), defende que a realização das provas em data única vai ''acabar com distorções'' e aumentar as chances de aprovação dos alunos residentes nas regiões onde estão as instituições. Como se trata de questão polêmica, Romanelli afirma que quer discutir o assunto, inclusive em audiências públicas. Atualmente, o projeto espera aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Depois, passará pela Comissão de Educação antes de ir a plenário.
Por que elaborou este projeto?
O Paraná faz um grande esforço para manter as nossas universidades estaduais. A origem delas vem da idéia de que cada região tinha demandas específicas e precisava ter centros de irradiação do saber. Esse turismo estudantil em função da falta de unificação das datas, ocasionado por uma agenda que é feita para que os estudantes possam tentar vestibular em todas as instituições, é um absoluto contra-senso. Beneficia estudantes de São Paulo e priviligia o aluno da escola privada. É a inversão dessa lógica que o projeto pretende discutir. Ele vai resolver esse tema? Não. Mas o enfrenta e certamente diminui o efeito perverso causado pelo turismo estudantil, que tira vagas dos estudantes da região.
O projeto não tira o direito de escolha? Além disso, não diminui a chance de o aluno ingressar em uma universidade pública?
Não estamos tirando o direito de escolha do aluno. O aluno que mora em Londrina e deseja fazer Medicina na Universidade Estadual de Maringá (UEM), vai poder fazer. Mas se quiser fazer vestibular na UEM e na UEL, vai ter de escolher. E eu penso que (a unificação) aumenta a chance, na medida que diminui a competição.
O senhor não vê nenhuma vantagem no sistema atual?
Salvo o fato de as taxas de inscrição do vestibular serem uma fonte de financiamento para uma área específica da universidade, não consigo ver nenhum outro aporte. Tudo bem, você tem gente com outra cultura na universidade, que tem essa característica de ser aberta. Mas, sinceramente, um Estado como o nosso, que faz um grande esforço para manter as universidades, acaba tendo um resultado contrário ao interesse público. Unificando as datas, as próximas gerações vão experimentar o resultado, que na minha avaliação terá um efeito extremamente positivo.
O senhor questiona também que muitos desses ''forasteiros'', quando concluem o curso superior, vão exercer suas profissões em suas regiões de origem. Isso se resolve com a unificação das datas?
Acho que diminui o efeito. A vinda de alunos de fora é de fato um prejuízo em relação ao efeito que a universidade tem no aspecto social. O processo do conhecimento é extremamente importante, é ele que modifica o perfil de uma sociedade. Se nós não tivermos essa compreensão, fica difícil ter uma discussão clara e transparente sobre esse tema.
O senhor discutiu o projeto com os reitores?
Não discuti com os reitores, discuti com professores. Mas só vou lutar por uma proposta que tenha efetiva participação dos interessados. Inclusive estou propondo a realização de uma audiência pública. Sou defensor da democracia participativa e o tema precisa ser profundamente debatido. Mas eu gosto de mudança, gosto de inovação. Você não precisa ficar nesse conformismo em relação à situação atual, temos de avançar. Temos de avançar também sobre a questão de uma política mais efetiva para poder garantir o acesso à universidade pública para o aluno oriundo da escola pública.
O senhor teme algum tipo de lobby ou pressão por parte dos cursinhos?
Não tenho dúvidas de que haverá esse lobby. Há um interesse financeiro muito grande sobre isso.


