VESTIBULAR SEM SEGREDOS - Dedicação faz a diferença
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terça-feira, 20 de novembro de 2007
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Final de ano, vestibular, preparação... Assuntos e desdobramentos não faltam quando falamos em processos seletivos. Com 11 anos dedicados ao preparo de alunos do ensino médio, o professor Hélio de Castro Mello, de Apucarana, teve os vídeos de suas aulas postados no YouTube (site de vídeos na internet). Mello acredita ser uma bobagem muitos jovens se deslocarem aos grandes centros em busca de aprovação no vestibular. ''Não existe fórmula mágica. Existe, sim, a dedicação'', argumenta.
Como despertar a atenção do aluno?
Hoje, é fato consolidado: se antes concorríamos com a tv, agora temos a internet, os mp3 e toda uma variedade de opções para desviar a atenção do aluno. Acredito que a saída seja a escola ir além de seus domínios: inserir recursos como uma música correlata à determinada matéria, lançar mão de viagens, imagens, enfim, transportar esse aluno para fora de sala de aula. O caminho é esse.
Como professor de ensino médio, defende o vestibular?
Não atingimos um nível para promover mudanças. Para isto, é preciso, antes de qualquer coisa, mudar o sistema educacional. A escola pública ainda é eficiente. Mas poderia ser melhor, como já foi nas décadas de 1960 e 1970. No exterior, a escola pública funciona. Por aqui, deveríamos ter escolas melhores, que dessem melhores condições a seus estudantes. A partir desta reformulação, então, poderíamos trazer um melhor sistema de seleção.
Algum exemplo?
Algumas universidades têm apostado no processo de avaliação seriada, no qual o aluno faz provas do primeiro ao terceiro ano do ensino médio. Aí sim, você de fato avalia o aluno.
Existe fórmula para passar no vestibular?
Não existe receita pronta. O aluno tem que construir uma base de estudo. A aprovação no vestibular envolve trajetória e começa desde o início dos estudos, no Ensino Médio. Penso eu que, se existe uma fórmula para ser aprovado, ela é a mais tradicional: sentar em uma mesa e estudar. E é natural: às vezes a escola se torna chata. Há certos tópicos e temas que não servirão para o resto da vida do aluno. Mas têm de ser estudados.
E ir para grandes centros, em busca de uma melhor preparação, funciona?
Não. Não é indo de Apucarana a Londrina, de Londrina a Curitiba, ou de Curitiba a São Paulo, como muitas vezes vemos, que o aluno vai ser aprovado. A dedicação faz a diferença.
No paralelo ensino público versus ensino privado, ainda existe um abismo?
A remuneração na escola privada, a infra-estrutura e a segurança atraem os professores. Eu, particularmente, não rotularia a escola pública ou privada como a melhor. O que acontece é que, com todo o dinheiro em caixa, a escola particular pode prevenir de forma mais intensa a incidência de drogas, violência, entre outros fatores. Ambas correm riscos, mas a escola pública está mais vulnerável.
As políticas públicas de cotas estão aí. Os alunos de escolas públicas deixam a desejar, no domínio de conteúdo, em relação àqueles formados nas escolas privadas?
Não. É aquela velha história: cursar uma USP ou uma Unicamp sem se dedicar às rotinas não funciona. Assim como, aquele que estuda em uma faculdade humilde e é dedicado, poderá traçar caminho vitorioso. A instituição não faz o aluno.
Segundo o MEC, faltam 250 mil professores no país. Por quê?
A infra-estrutura das escolas deixa a desejar e requer investimentos. De nada adianta ser o melhor professor e recorrer ao data-show ou a recursos multimídia se não há esses equipamentos à disposição. E o principal: a remuneração. Hoje, o que vemos são professores correndo de lá para cá, em vários empregos, para assegurarem um salário que beire a dignidade, no final do mês.


