Que a forma de acesso ao Ensino Superior está passando por profundas e radicais alterações, a partir do advento da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, é questão posta e inegável.
A UEL, como seria de se esperar, estabeleceu este tema como um dos pontos centrais a serem refletidos, discutidos e alterados, principalmente porque o vestibular tem grande influência no Ensino Médio não só em termos de conteúdos programáticos como metodológicos.
Há clara consciência, por parte da Universidade de que, face à forma como está estruturado, o vestibular coloca amarras no sentido de possibilitar uma organização do espaço pedagógico do Ensino Médio, de tal forma que este venha a ensejar o desenvolvimento de algumas das competências e habilidades estabelecidas em seus Parâmetros Curriculares e que estão de acordo não só com as mais recentes pesquisas da área de educação como, também, com as necessidades sociais.
No entanto, a par com estas preocupações, existe a clara convicção de que as transformações necessitam de um tempo para serem assimiladas e exercidas, justamente porque impactam o estabelecido exigindo de professores e alunos mudança de atitude.
Além disto, tem-se, também, a percepção de que a universidade deve discutir com o Ensino Médio, tanto da rede pública quanto particular, os rumos das transformações pretendidas. Não se propugna uma atitude de isolamento: a UEL tem clara consciência de sua responsabilidade sócio-educacional e de que toda e qualquer transformação deve ser realizada com e não para a sociedade.
Feitas estas considerações iniciais que definem o espírito norteador das discussões a respeito do vestibular, gostaríamos de explicitar as alterações a serem implementadas no vestibular de julho, destacando que elas derivam de consultas realizadas às escolas de Ensino Médio e à comunidade universitária, através de questionário.
São elas: diminuição do número de questões, para que possa haver ênfase no raciocínio; adequação dos conteúdos programáticos do vestibular à Reestruturação Curricular para o Segundo Grau do Estado do Paraná e aos dados coletados nos questionários. Tais dados evidenciam a necessidade de maior esclarecimento, atualização de nomenclatura e coerência com os exames vestibulares anteriores.
Foi na perspectiva de adequação à Reestruturação Curricular do Estado do Paraná, que História e Geografia do Paraná assim como História Antiga deixaram de constar do programa, não porque se considere que são temas ‘‘menores’’ no contexto do conteúdo programático, mas porque se entende que devam ser abordados de forma contextualizada, ou seja, no que se refere à História Antiga, o importante é identificar a contribuição dessas civilizações na constituição da civilização ocidental moderna; do mesmo modo História e Geografia do Paraná devem estar inseridas no contexto nacional, não devendo ser abordadas isoladamente.
Tais alterações, embora tímidas, sinalizam tendências de alterações dos próximos vestibulares, cujo formato dependerá do aprofundamento das discussões entre os diferentes atores sociais.
Ana Misako Yendo Ito
Coordenadora de Assuntos de Ensino de Graduação/Presidente da COPESE
Silza Maria Pazello Valente
Diretora de Apoio à Ação Pedagógica/CAE

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