Fim de ano, Natal, Ano Novo, férias e quem sabe até uma praia. Essa pode ser a perspectiva para muitas pessoas na virada do ano, mas não para quem vai enfrentar as provas do vestibular. Esses estudantes nem sabem como serão suas festas de fim de ano. Na cabeça só há espaço para matemática, biologia, química e coisas afins.
''Não vou poder nem visitar meus pais no Natal'', diz Paulo Henrique Nunes Muniz, 18 anos, que tenta uma vaga no curso de Engenharia da Computação. Os pais de Paulo moram no interior paulista, em Itapeva, e a maratona de provas não permitirá folgas. A ''via sacra'' inclui universidades de Santa Catarina, Londrina, Campinas e São Carlos. Para fugir do cansaço, Paulo conta a receita. ''Paro às 17h30, dou uma volta no Zerão e depois volto a estudar. Nunca fico até de madrugada na rua para não ter sono no dia seguinte''.
Mirian Junqueira, 36 anos, casada e com quatro filhos, também vai encarar as provas. Ela tenta vaga no curso de Serviço Social na UEL e PUC e no curso de Turismo na Unifil. O que motivou o retorno aos bancos escolares foi a cobrança dos próprios filhos. ''Eles falam que eu não sei nada, por isso resolvi estudar'', conta. O filho mais velho, Ricardo, tenta uma vaga no curso de História.
Júnior da Silva Couto, 19 anos, e Emiliano Ademir Viesba, 18, dividem a mesma ''república''. Eles estão no primeiro ano de cursinho e enfrentarão provas em vários locais do País. Júnior pretende cursar Direito. Já prestou vestibular na Metropolitana e fará exames na Federal do Paraná, UEL, Universidade de Ponta Grossa, Unioeste e talvez em Santa Mariana, no Rio Grande do Sul. ''É o desespero de passar'', explica, queixando-se que ''na UEL 90% dos estudantes são paulistas e a concorrência é grande''. Para relaxar, conta que procura sair nos fins de semana com a namorada. Se não passar, já tem planos. ''Vou para os Estados Unidos. Já está na hora de fazer alguma coisa''.
O seu amigo Emiliano, que quer uma vaga em Medicina, não pensa em desistir tão fácil. Cascavel, Curitiba, Londrina e Ponta Grossa estão no seu ''roteiro'' de fim de ano. ''É um curso difícil, por isso tento vaga em várias faculdades. Vou tentar uns dois, três anos para Medicina'', planeja. Para ele, a maior dificuldade é a cobrança dos pais e familiares. ''Eles ficam lembrando que você já fez um ano de cursinho e ainda não passou. Isso entra na sua cabeça e dá a sensação de que perdeu um ano da vida''.

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