Enquanto lideranças da agricultura paranaense reúnem-se, em Londrina, para reclamar atendimentos do Governo para o setor, também os dirigentes de grandes empresas brasileiras manifestam insatisfação com as políticas governamentais. O clima é de descontentamento e, de acordo com pesquisa, esses empresários qualificam como ruim a eficiência do Governo, conferindo-lhe nota 2,8 na escala de 0 a 10. A razão maior das queixas é a elevada carga tributária, que impede o crescimento dos negócios. Enquanto isto ocorre, o presidente Lula retorna de sua viagem ao Japão e à Coréia do Sul e mostra-se indiferente à realidade brasileira, porque chegou arrogante e até provocador, declarando que seus opositores ''vão quebrar a cara''. Referia-se a questões meramente políticas parecendo ser esta sua única preocupação com nenhum enfoque, portanto, para coisas mais importantes, como o pleito dos agricultores e a insatisfação dos empresários da indústria e do comércio. ''Voltei com muito mais gás e muito mais otimista'', proclamou, mas vê-se logo que seu gás e seu otimismo estão voltados para a campanha eleitoral do ano que vem, eis que ao falar dos opositores fazia referência aos grupos que pelejarão com ele na corrida presidencial. Lula, que já está na contagem regressiva de seu mandato, não é portanto um governante preocupado com alguma solução nacional mas sim com a próxima campanha, para eventualmente reeleger-se e, de novo, nada fazer. É a busca do poder simplesmente pelo exercício do poder. O desencanto dos brasileiros não é apenas com o desempenho do Governo mas com a crença do presidente e de sua equipe de que tudo caminha às mil maravilhas. Lula não avalia críticas e simplesmente lança seus opositores na vala dos que ''estão torcendo contra o Brasil''. Certamente que, nesse diapasão, também considera opositores os produtores rurais que reclamam atendimentos e os empresários que reagem contra os elevados impostos. Desapareceu a sensibilidade para ouvir as reivindicações e acatar propostas de mudanças, e assim tudo converte-se no conceito simplista de que, quem se manifesta contra o Governo, está se manifestando contra o Brasil. Ao encarnar essa idéia o Governo evidencia o sintoma crônico que o acomete. Um pleito, uma crítica, são coisas de opositores que querem o fracasso do Brasil, segundo o entender do supremo governante. Está evidente que pouco se obterá de um Governo que perdeu referenciais e se mostra cego e surdo aos clamores que vêm de fora e não os considera como verdade mas como mera política de ''gente que quer o fracasso do Brasil''. Fracasso ou sucesso nem é a questão em debate, mas é certo que o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está dando nenhuma contribuição para o sucesso.

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