Vergonha no Café
Mais um vergonhoso capítulo da história do futebol foi escrito nesse final de semana no Estádio do Café. O Londrina Esporte Clube (LEC) e Brasil de Pelotas protagonizaram mais uma cena de barbárie em campo. A violência, que em partidas anteriores País afora correu solta nas arquibancadas, dessa vez tomou o gramado. Atletas e membros da comissão técnica das duas equipes, que deveriam dar o exemplo aos torcedores, partiram para a pancadaria.
Atribuir o início da confusão a qualquer um dos times torna-se neste momento irrelevante. Lamentável foi o episódio como um todo, uma vez que as agressões partiram dos dois lados. E o que dizer, então, das agressões de membros da comissão técnica do Londrina ao cinegrafista de uma rede de TV gaúcha na tentativa de impedir o registro de imagens da violência campal? Cenas grotescas que mancham o belo trabalho desenvolvido pelo clube na atual temporada.
É preciso lembrar que as boas campanhas do LEC nos últimos campeonatos paranaenses e na Série D do Campeonato Brasileiro deste ano passaram a atrair mais torcedores ao estádio. Se o bom futebol poderia ser um motivo para levar os londrinenses ao Café, as cenas do último sábado são uma boa razão para afastar o público.
Além disso, ajudou a consolidar a imagem de violência do futebol brasileiro. As cenas de barbárie entre torcedores do Atlético Paranaense e do Vasco (RJ), pela Série A do Campeonato Brasileiro do ano passado, já haviam "ganhado o mundo". Ontem, o jornal inglês "The Guardian" repercutiu as cenas da partida de sábado.
Por isso, é importante que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) analise criteriosamente as imagens de agressões e que puna os envolvidos. Episódios de violência não podem "passar em branco" como se fossem rotina no futebol brasileiro. Não são e não deveriam ser. E a exemplo de outros clubes punidos por violência fora ou dentro do campo, o Londrina poderá ser duramente castigado com a perda de mando de jogos na Série C em 2015.
Enquanto os responsáveis não sofrerem sanções, a violência tende a perdurar. É um capítulo da história do futebol que deve ser esquecido, mas que sirva de exemplo para que não volte a ser repetido.





