Após um discurso com frases e trilha sonora inspiradas no regime totalitário e nefasto de Adolf Hitler, o secretário Especial de Cultura, Roberto Alvim, foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro nesta sexta-feira (17). O governo agiu rapidamente diante da repercussão do vídeo gravado por Alvim com evidentes semelhanças com o ministro nazista da Propaganda, Joseph Goebbels.

No dia anterior, Alvim chegou a participar de uma “live” nas redes sociais com Bolsonaro e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, para anunciar programas de incentivo à cultura voltados para conservadores. O presidente defendeu, novamente, a ideia de “filtros” para liberação dos recursos, o que na visão dele não é censura. Prontamente, Alvim corroborou a ideia do chefe: “não é censura, é curadoria”.

Mas, o discurso semelhante ao de Goebbels acompanhado da trilha sonora de Richard Wagner, compositor favorito de Hitler, cruzou a linha democrática da igualdade, do bom senso e do respeito ao exaltar a tirania nazista.

Em nota, a Conib (Confederação Israelita do Brasil) afirmou que a declaração do ex-secretário é um “sinal assustador da sua visão de cultura, que deve ser combatida e contida” e que o País não merecia o vídeo após ter lutado contra o Eixo na Segunda Guerra Mundial. “Goebbels foi um dos principais líderes do regime nazista, que empregou a propaganda e a cultura para deturpar corações e mentes dos alemães e dos aliados nazistas a ponto de cometerem o Holocausto, o extermínio de 6 milhões de judeus na Europa, entre tantas outras vítimas”, afirma a nota.

Antes da Solução Final, como ficou conhecida a política de estado para o genocídio judeu nos campos de concentração, Hitler “testou” as câmaras de gás em deficientes físicos e mentais, considerados “indignos” e com alto custo para a sociedade, na visão torpe e doentia do ditador. Historiadores calculam que Hitler foi responsável por cerca de 40 milhões de mortes durante os anos do regime nazista.

A embaixada da Alemanha no Brasil também rechaçou a manifestação de Roberto Alvim. "O período do nacional-socialismo é o capítulo mais sombrio da história alemã, trouxe sofrimento infinito à humanidade. A Alemanha mantém sua responsabilidade. Opomo-nos a qualquer tentativa de banalizar ou glorificar a era do nacional-socialismo", declarou o governo alemão.

Bolsonaro “flerta” com o discurso autoritário, semanalmente, quando ataca a imprensa livre e opositores de maneira agressiva e antidemocrática. "Reitero nosso repúdio às ideologias totalitárias e genocidas”, foi a resposta dele após a demissão do ex-secretário. Que o capítulo sirva de lição para que o governo federal possa adotar uma postura de diálogo com opositores em busca de soluções para o País, principalmente, no setor econômico. Que essas soluções também passem pela formação de uma equipe mais qualificada, menos preocupada em reescrever o que é incontestável no passado e mais preocupada com o futuro do Brasil.

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