Renan Calheiros
Em 1940, o então presidente Getúlio Vargas, dentro de sua política nacionalista, criou o salário mínimo no intuito de estimular o mercado interno. Em 60 anos, os demais índices da economia melhoraram e o mínimo perdeu seu poder de compra, e sua força na economia nacional foi reduzida. Salário mínimo, na década de 40, tinha a capacidade de compra três vezes e meia superior se comparado aos atuais R$ 136. Se o poder aquisitivo do mínimo fosse mantido continuamente e tivesse acompanhado os demais números da economia, hoje ele estaria em torno de R$ 480.
As projeções dos economistas apontam que este valor provocaria um déficit nas contas públicas, em especial da previdência, em torno de R$ 34 bilhões ao ano, número pouco assustador se considerarmos a quantia que a atual política econômica está pagando a título de juros. O impacto do reajuste do mínimo nas contas da previdência tem sido o argumento mais utilizado para frear a recuperação do valor do salário mínimo. Hoje são 12 milhões de aposentados e pensionistas que recebem o mínimo e cerca de R$ 4 milhões, no mercado formal, que ganham o piso salarial.
No mercado formal, um em cada 10 empregados recebe o mínimo. Entre os trabalhadores sem carteira assinada, esta relação aumenta de 4 para cada grupo de 10 trabalhadores. O mínimo representa hoje menos de 25% da força do trabalho quando em 1940, nada mais nada menos do que 68% da população ganhavam um salário mínimo.
Claro que o salário mínimo preservou sua importância, ainda que modesta, dentro da economia e, inquestionavelmente, foi se deteriorando e perdendo seu valor de compra. Mais do que repor a inflação é imperioso que os economistas apontem soluções para sua real recuperação. O Brasil tem o menor salário mínimo da América do Sul, uma vergonha para quem detém o título de 8ª economia mundial.
Numa economia aberta e moderna, na qual o Brasil ensaia os primeiros passos para ingressar, o baixo custo da mão-de-obra não é fator preponderante para os custos finais dos produtos. É preciso observar que em todos os momentos em que o mínimo teve crescimento real houve diminuição da pobreza.
O governo precisa analisar o índice de reajuste do salário mínimo com a cautela necessária. Este percentual não deve considerar apenas os números frios da matemática. A equipe econômica deve fazer todos os esforços, dentro do que situação possibilitar, para reajustar dignamente o mínimo e iniciar um processo de valorização real do salário mínimo.

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