Vereadores patrocinando escândalo
Os advogados que defendem os vereadores denunciados por crime de concussão, em Londrina, agem dentro das atribuições que a legalidade lhes confere, por isso - como fez um deles - valem-se de frases de efeito como ''abraço de afogado'' para nominar a delação do vereador Henrique Barros implicando outros quatro colegas. Mas não é apenas a delação (como parte do acordo de cooperar nas investigações que Barros fez com as autoridades policiais e do Ministério Público, quando preso, em troca de sua liberdade provisória), mas também o depoimento de empresários solicitados a pagar (e pagaram) propinas aos cinco integrantes da Câmara Municipal para que aprovassem projetos de interesse deles, empresários, e eventualmente de interesse da comunidade.
Não faltam também declarações já conhecidas, do tipo ''nada vi'', ''nada recebi'', ''nada sei'' e por aí em diante. A opinião pública não se sensibiliza com tais negaças, e melhor seria a confissão (como em parte Barros fez), que se não atenua culpas ao menos estabelece a verdade. Porque já não se trata de simples acusação se existe os depoimentos dos empresários extorquidos - que, segundo a peça do inquérito, não estão enquadrados em corrupção ativa porque pagaram mediante ameaça. Cada vereador implicado pode defender-se e dizer o que desejar, mas é inquestionável (justamente pela declaração das testemunhas) a participação dos vereadores Henrique Barros, Orlando Bonilha, Renato Araújo, Flávio Vedoato e Osvaldo Bergamin no esquema denunciado de cobrar propinas.
A amostragem de ações de maus vereadores (e de vários outros que os precederam no passado) já recheava o murmúrio popular. Políticos e governantes honrados não estão na boca delatora do povo. Significando que não é surpresa o que agora se revela, certamente apenas uma parte do que aconteceu por aqui e acontece nas 5.600 Câmaras municipais brasileiras, nos demais parlamentos (veja-se os tristes exemplos de Brasília), em gabinetes governamentais e em repartições públicas no geral.
Houvesse decência política dos vereadores ora denunciados - até uma contradição exigir isso, diante do que eles praticaram - eles apresentariam pedido de demissão dos cargos. O escândalo é vergonhoso demais, não tanto pelos valores mas por essa prática vergonhosa, tratando-se de vereadores. Que deveriam ser os agentes e os exemplos de moralidade, porque receberam pelo voto a confiança da população.





