Não tanto pelo valor do aumento, de R$ 1.540 para R$ 1.800, mas pelo horário em que foi aprovado: 8 da manhã. Acontece na Câmara Municipal de Bela Vista do Paraíso 40 quilômetros distante de Londrina quando os vereadores votam o projeto de elevação dos ganhos do corpo legislativo e do prefeito, para a próxima legislatura. As sessões regulares realizam-se sempre à noite, mas, para votar a extraordinária matéria as sessões de anteontem e ontem ocorreram na calada da manhã, e hoje haverá a terceira votação, no mesmo horário, ou seja, logo depois do cantar do galo. Isto não tem outro nome senão clandestinidade e flagrante desonestidade. Na primeira reunião, 9 dos 11 vereadores compareceram, 6 votaram a favor e 2 contra (o presidente não vota); ontem, os mesmos 6 repetiram a posição, houve 1 falta 3 votaram contra. O horário especial é para evitar a presença dos cidadãos, não porque estes não levantem cedo mas porque têm de cuidar dos seus afazeres e o ganho fácil não os contempla tão generosamente. Os vereadores, no caso, estão legislando em causa própria, porque 8 dos 11 são candidatos à reeleição e visam, portanto, beneficiar a si mesmos. E não param aí, porque resolveram também agradar ao futuro prefeito e estão aprovando a elevação de seu salário de R$ 6.000 para R$ 10.000, um ganho de marajá considerando o tamanho do município, que tem apenas 12.200 eleitores. O próprio prefeito atual, que é candidato à reeleição, declara haver achado demais. Tudo isso ocorre num momento de queda da arrecadação do município e quando os seus servidores públicos são reajustados em apenas 10%. A afirmação do presidente da Câmara, Antonio Marques de Oliveira que é o autor do projeto dos aumentos é que o reajuste está na previsão orçamentária. Previsão votada por eles próprios. Fatos como este dão bem a medida da falta de respeito dos políticos para com o povo, demonstrado pelo delito de elevar aleatoriamente os próprios ganhos e usar do vergonhoso artifício de realizar sessões específicas às 8 horas da manhã, com o fim de afastar a presença dos munícipes no plenário. O ato de afronta ao povo já começa na aprovação de tanta verba orçamentária para alimentar as casas legislativas, e se há abundância de dinheiro para a farra pública quando obras sociais são sacrificadas por insuficiência de recursos os políticos entregam-se à gandaia e perdem o senso do decoro e da decência.

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