Que não se iludam aqueles que elegeram os vereadores de Londrina: eles estão com a consciência tranquila, significando sem peso algum e nem remorso. E o que fizeram eles? Valeram-se de brecha legal e, como primeira medida depois da posse, aumentaram a verba de gabinete e o número de assessores. ''Isto não arranha a imagem do Legislativo'', disse o presidente da Casa. Não só arranha como desfigura, mas ocorre que os vereadores perderam o sentimento de dor e não têm sensibilidade táctil para perceber. Não há neles esse registro. Onze dos dezoito decidiram aumentar a conta da farra pública, mas não há garantia de que aqueles que votaram contra estejam livres de culpa, porque, com certeza sabedores da posição dos pares e da aprovação garantida que também os beneficiaria não perderam a chance. Por isso o ter votado contra, até prova em contrário não os isenta, e isto se saberá se eles recusarem receber o aumento ou o doarem todo mês para uma instituição beneficente, e se também se negarem a contratar mais assessores. A diminuição do quadro de vereadores, de 21 para 18, foi a razão para a ''imperiosa necessidade'' de mais auxiliares, por ''sobrecarga'' de serviço parlamentar. É para lamentar. Até parece que, antes, havia uma divisão equitativa de tarefas a desempenhar e que, com a saída de três vereadores, os dezoito restantes tiveram de absorver todo o serviço... Ressalvadas as exceções na história da vida pública brasileira, alguém que se candidata a vereador visa primeiro o ganho, em segundo lugar o poder, que possibilita outras ganhos e muitas regalias. O que menos existe é espírito público. A atual legislatura mal começa e começa mal. Ser vereador já não é servir, é servir-se. Os novos assessores serão apenas mais cabos eleitorais e não ajudantes reais para funções especializadas. É bom ter muitos serviçais, pagos pelo povo, pois serão úteis para a semeadura de votos para o pleito seguinte. Diante desses abusos, não há como ter respeito para com os vereadores. Dirão eles que agem dentro da lei, mas no Brasil, nem tudo o que é legal é moral. E tais leis de auto-benefício são aprovadas dentro dos próprios parlamentos. Deles, para eles. Isto convertido em lei torna-se legal. Uma equação simplista. Bom seria se os eleitores, ao escolher o candidato, lhe estabelecessem o limite do ganho e da verba de representação; e melhor ainda se pudessem, a cada ano, deseleger o eleito, se assim julgasse da mesma forma que hoje se dissolve o Parlamento no sistema parlamentarista. Como assim não é, vigora essa indisfarçada ditadura, porque outro nome não tem o arbítrio imperante, que tudo pode e é imune de sanção. Se não é possível mudar a qualidade dessa classe de cidadãos os políticos deverá ser mudada a legislação. Mas por quem, se são eles mesmos que decidem?! Aparentemente um beco sem saída e um insidioso quisto político irremovível.

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