Vereador é solto mas caso terá desdobramentos
Há grande expectativa da opinião pública sobre os desdobramentos que terá o caso do vereador Henrique Barros, de Londrina, que foi preso em flagrante sob a acusação de concussão, denominação que tipifica o crime de receber dinheiro para aprovar (ou rejeitar) projeto de lei ou conceder outros benefícios públicos a terceiros. Ontem, no final da tarde, o vereador que estava detido desde quinta-feira no Centro de Detenção e Ressocialização foi solto e responde em liberdade ao inquérito conduzido pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.
Os próximos dias deverão ser de novas revelações. O vereador confessou em parte sua culpa, até porque o ato de recebimento de propina que o envolveu teria sido gravado. Seu advogado orientou-o a mudar o tom do depoimento. Se há mais vereadores envolvidos, eles serão conhecidos, sabendo-se que a concussão enquadra também os pagantes. No caso, os murmúrios falam que o affaire tem a ver com projetos de lei de zoneamento, uso do solo e doação de terrenos a empresas. Uma lei não é aprovada por decisão de um único vereador, e como é de praxe nessas histórias de concussão que não são nenhuma novidade na vida pública brasileira em cada situação existem os articuladores centrais.
A soltura de Henrique Barros (pela sua promessa de colaboração nas investigações) era um fato esperado, não significando um abrandamento de sua condição. O processo continua e, paralelamente, também o partido do vereador (o PMDB) deverá tomar medidas punitivas. Ele já foi afastado da liderança partidária na Câmara, um ato da diretoria executiva do partido reunida logo após a sua prisão. Podendo na continuidade ocorrer, além das penalidades legais, a cassação do seu mandato de vereador e eventualmente dos direitos políticos pela Câmara.
Este lamentável episódio, cujo nome clássico não é outro senão corrupção tão em voga nos círculos político e governamental deste país figura entre aqueles que são descobertos. Porque, na maioria dos casos, eles afloram como cogumelos e surfam na voz do povo, até se dissiparem por falhas de investigação ou porque não houve providência alguma nesse sentido, e assim faltam os necessários elementos de prova. Só quando há uma minuciosa diligência e a união de esforços caso do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, que une as polícias Civil e Militar e o Ministério Público e no presente caso agiu com eficiência é que o flagrante ocorre e assim um processo anda.





