Verdade e razão
‘‘Não há mais lugar no Paraná para a raiva, para a visão deturpada dos que desejam condenar o cidadão à eterna dependência dos favores oficiais e dos que fazem da calúnia sua razão de viver’’ (Gerson Guelmann, ex-secretário chefe do Gabinete do Governador, em entrevista à Folha há duas semanas).
A declaração do sr. Guelmann procede. Veio em boa hora. O ex-secretário acertou no alvo e aqueles que o conhecem sabem que esse é seu costume.
Não é interessante que ainda haja cidadãos sonhando em trazer de volta modelos administrativos sem nenhuma dimensão prática, já mortos, enterrados e apodrecidos pela ineficácia e ausência de resultados reais?
Tomemos, por exemplo, a questão do pedágio. Vi outro dia pela TV o depoimento de um caminhoneiro da região de Foz do Iguaçu a respeito de um guincho que rebocou seu caminhão quebrado. O serviço de guincho, que agora está disponível em todas as estradas que compõem o anel viário do Estado, foi-lhe prestado gratuitamente. Conforme ele declarou o mesmo serviço lhe teria custado não menos de R$ 220,00 nas condições anteriores à cobrança do pedágio. Completou dizendo: ‘‘eu era até hoje contra o pedágio, mas agora eu vi que ele é necessário. E foi minha precisão que mostrou isso.
Que o pedágio tenha se transformado em plataforma básica de oposição a Lerner não é novidade para ninguém. O problema que vejo está no fato de se estar jogando com informações incompletas ou irreais como se isso fosse um verdadeiro esporte. O objetivo dos inflamados discursos não é apresentar a proposta de um contra-modelo que suplante o atual em funcionalidade e demais vantagens, mas apenas deixar o cidadão impressionado com verbos e figuras de linguagem. A meta é a confusão e não a razão.
Fala-se por exemplo, em aumento dos custos de transporte considerando-se apenas o valor absoluto a ser pago no pedágio. No entanto, tecnicamente, as planilhas de custos das empresas transportadoras deverão apresentar, a curto prazo, uma redução considerável no item referente à manutenção mecânica da frota. Uma coisa será compensada por outra. Em muitos casos, a vantagem será maior para o lado da manutenção, ou seja, o pedágio será irrisório. Isso é prático e visível, mas ninguém toca nesse assunto.
O ponto a que nós, cidadãos e usuários, devemos nos apegar nessa questão deve ser a exigência de que os opositores ao atual projeto apresentem uma alternativa eficiente, factível e viável de modernização e manutenção das estradas do Paraná com padrão superior ao atualmente implantado.
Cabe a nós a responsabilidade de nos manter ligados ao cronograma estabelecido para a duplicação e outras obras. Não negligenciar na fiscalização do destino dado aos recursos arrecadados e das demais cláusulas contratuais assumidas na concessão. Isso é de importância fundamental para que não suceda que este projeto acabe como tantos outros similares nacionais: em pura desvantagem e prejuízo do povo.
Numa década em que o Estado está se desvinculando de todas as atividades nas quais a administração privada desempenha um comprovado papel de superior qualidade, achar que a estatização e o paternalismo do governo é a melhor opção se constitui nada mais do que uma tentativa de ofender nossa inteligência. Assim não. Burros é que não somos.
Chega de simples verborragia. Ninguém mais credita em discurso como virtude de ninguém. Acabou o tempo de ganhar no grito. Falar e fazer são coisas muito distantes e o povo brasileiro já fez sua opção. A escolha, hoje, recai, sem dúvida, sobre aquele que faz.
- ABRAHAM S. BUCHAL é empresário em Londrina.

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