Depois de 60 anos, Londrina pode ter um teatro municipal. O secretário de Cultura Luciano Bitencourt diz que será mais do que um teatro, será um complexo cultural com salas de espetáculo, ensaio e didáticas, biblioteca e espaço para a convivência da comunidade. ''Quem quiser poderá passar o dia no teatro.'' Mas, até agora, somente um terço das verbas necessárias para a construção foram obtidas. Mesmo assim, o secretário mostra-se otimista. Segundo ele, o prefeito comprou a briga pelo teatro, junto com os artistas, desde quando o projeto era impopular. ''Hoje, está caindo no gosto do povo. Existem críticas, mas as pessoas reconhecem o teatro como um equipamento público muito importante.''



O teatro municipal vai sair do papel ou mais uma vez a cidade vai ter suas expectativas frustadas?

Já estamos na prática. Tivemos o concurso nacional para o anteprojeto. Esse é um passo que a cidade nunca tinha dado antes. Em novembro deveremos ter todos os projetos relativos à obra licitados. Os deputados do Paraná conseguiram uma emenda no orçamento geral da união deste ano, que destina R$ 10 milhões para a construção do teatro, e estamos trabalhando para ter igual valor no orçamento do próximo ano. Isso nos dá a certeza de que iremos começar neste mandato. Mas precisamos ter a noção de que é uma obra para ser concluída em quatro ou cinco anos.



Mas sempre existe a possibilidade de um próximo prefeito não terminar a obra...

Primeiro, vai ser uma obra em que a maior parte dos recursos será federal e existe uma determinação do presidente para só se começar obras que possam ser terminadas. Segundo, acredito na continuação deste grupo à frente da administração da cidade, mas, se for outro prefeito, a sociedade está madura para fazer pressão para o término da obra. Em terceiro lugar situa-se o contexto em que o teatro está, ou seja, dentro de um empreendimento privado, que mobiliza empresários de porte que vão fazer vultosos investimentos naquele empreendimento, e também irão pressionar pelo término da construção.



O terreno foi doado?

Isso precisa ser entendido. É uma doação que é de lei. O proprietário poderia ter doado qualquer parte do terreno, ficamos com a melhor. Os empresários fizeram essa doação porque sabem que o teatro será uma âncora para o empreendimento deles.



A cidade tem demanda para a utilização do teatro?

Temos sim. Há vários festivais, mostras e uma produção cultural importante. E temos um mercado cultural a ser explorado, que é limitado pela falta de infra-estrutura. Mesmo os festivais deixam de trazer espetáculos por falta de estrutura adequada.



Pelo projeto será um grande espaço, a cidade tem público para ocupá-lo?

Acredito que temos sim. O exemplo são os festivais que têm seus ingressos esgotados rapidamente.



Por que os eventos culturais de Londrina acontecem sempre no segundo semestre?

Essa é uma característica do Brasil. Em Londrina, estamos trabalhando para inverter essa tendência. Por outro lado, temos eventos que têm datas tradicionais e que não podem ser mudadas. Mas acredito que estamos conseguindo fazer dentro de um calendário melhor distribuído durante o ano.



Os produtores culturais da cidade têm dificuldade para obter patrocínios de empresas particulares?

Existe um trabalho intenso por parte dos produtores culturais e artistas em buscar outras fontes de recurso. É importante ressaltar que no mundo não se faz cultura sem subvenção pública. O mercado vai investir em projetos que revertam em resultado objetivo, que agreguem valor. É um processo que precisa avançar muito, falta conhecimento nessa área por parte do mercado.

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