Ventos de justiça sopram sobre Londrina
No momento em que o País vive dias de profundas e vergonhosas turbulências políticas, provocadas por denúncias de corrupção de todas as ordens, infindáveis escândalos, múltiplas comissões de inquéritos, processos de cassações, violação de painel eletrônico no Senado e cenas estarrecedoras da peça Três perdidos num cenário sujo, tendo como protagonistas uma certa Regina, ACM e José Roberto Arruda, aqui em nossa cidade, o vento virou e começa a soprar a favor da democracia, da ética e da justiça.
Recentes notícias dão conta de que um certo e famoso ladrão chamado Ronald Biggs, assaltante de um trem pagador inglês, agora velho e doente, após gastar o dinheiro roubado, deseja morrer em sua terra natal. Ironicamente, por aqui, igualmente ladrões e assaltantes, mas de pobres pagadores de impostos, embora em sua terra natal, finalmente passam, espero, as primeiras de uma série de longas e frias noites na cadeia.
O 2º Distrito Policial de Londrina, repleto de homens e mulheres, em sua esmagadora maioria, pobres, negros, desvalidos da sorte, abandonados em direitos e excluídos da dignidade humana, abriga, agora, pelo menos dois de uma longa lista de ladrões do erário público.
Elementos esses que, diferentemente dos seus colegas de cadeia, fartavam-se de benesses e festins bancados com o dinheiro alheio, que garantiam suas fartas mesas, com os recursos que faltaram para realizar justiça social em nossa cidade, objetivo primordial dos tributos arrecadados.
Essa não foi uma sexta-feira comum.
Ela passará para a História como o dia em que Londrina começa, de fato, a ser passada a limpo. Dia em que calaram, em muita gargantas, vozes incrédulas na punição de corruptos. Dia em que foi sufocada a desconfiança de que jamais se faria justiça e, finalmente, o dia que se veria o início do desmonte do reino da impunidade.
Em nós, londrinenses de bem, deve reacender a pira da esperança de que sempre valerá a pena acreditar na probidade, na transparência das ações políticas e na ética na vida pública.
Alma lavada? Ainda não! Só quando o dinheiro roubado dos cofres públicos voltar ao seu lugar de origem. Esperançosa? Como nunca! Porque como os lírios que brotam no lodo, devemos fazer emergir da vergonha que passamos, o brilho da luz que iluminará a reconstrução de nossa Londrina, tantas vezes humilhada, aviltada e desonrada por políticos fisiológicos e populistas, como o ex-prefeito cassado e agora preso, que ousava incluir, com assustadora frequência, em seus patéticos pronunciamentos, sua paixão pela cidade que ajudou a lesar.
Quero dizer que tantas vezes quantas fossem necessárias, repetiria o gesto, no cumprimento de minha obrigação como cidadã e parlamentar, de entregar ao Ministério Público, para investigação, documentos contendo fortes indícios de corrupção na Autarquia do Meio Ambiente (AMA). Mesmo tendo passado pelos piores momentos de minha vida pública, mesmo que certeza não tivesse de viver até essa inesquecível sexta-feira, 4 de maio, tenho inabalável convicção de que faria tudo de novo.
Reafirmo meus respeitos aos promotores do Ministério Público, especialmente aos doutores Cláudio Esteves, Solange Vicentin e Bruno Galatti que, no pronto atendimento dos seus deveres públicos, iniciaram o caminhar de uma longa e tumultuada jornada em busca da verdade. Cumprimento, igualmente, ao Poder Judiciário, que enalteceu, com esta importante decisão, a magistratura paranaense; aos integrantes do Movimento pela Moralidade, à imprensa e aos vereadores que, com seus votos, cassaram o ex-prefeito, de cujo privilégio não pude participar, uma vez que meu direito ao voto foi tirado. Cumprimento, ainda, a toda a população desta cidade que tem se mostrado cada vez mais, consciente e alerta.
Finalmente, na certeza que ainda há muito chão a palmear até construirmos a tão sonhada sociedade solidária, livre de corruptos e de desmandos, da qual desfrutarão as futuras gerações, repito a frase que tomei como empréstimo em meu discurso de posse: A única luta que se perde é aquela que se abandona.
- ELZA CORREIA é vereadora do PMDB e integrande do Movimento pela Moralização na Administração Pública de Londrina





