Venezuelanos decidem se querem um ditador
O que acontecer hoje na Venezuela interessa às três Américas, porque o povo desse país poderá estar cimentando as bases para sustentar um novo ditador continental ou robustecendo os alicerces da democracia. É que está na decisão dos venezuelanos, pelo referendo, dizer se aprovam ou não a reforma constitucional já votada pela Assembléia Nacional. Se o povo disser sim, possibilitará a reeleição ilimitada do presidente da República e o transformará em fonte exclusiva da lei. O perigo é que o presidente atual é o ditador potencial Hugo Chávez, cujas ambições políticas e expansionistas não se conhece por inteiro, mas não acenam para boas coisas.
Inimigo visceral dos Estados Unidos, fã ardoroso de Fidel Castro, mentor político e ideológico do presidente boliviano Evo Morales, adversário do governo colombiano, ridicularizado pelo rei da Espanha, ídolo do presidente Lula - que o considera um democrata - Hugo Chávez quer ser o unificador da América Latina e transformá-la numa Pátria Grande - ou, como queria Simon Bolívar, numa Nação de Repúblicas. Naturalmente sob sua liderança. Estribado no poder dos petrodólares, Chávez está rearmando a Venezuela, que figura no momento entre os destacados importadores de armamento.
Se o povo referendar a constituição aprovada pela Assembléia Nacional, o Presidente no poder poderá declarar estado de exceção, por tempo ilimitado, sem escrutínio da Corte Suprema e com a revogação do direito dos cidadãos à informação. Um dos artigos permite ao comandante supremo da República criar ou eliminar Estados, municípios e territórios federais e estabelecer regiões estratégicas de defesa, designando autoridades para administrá-las. A vontade do povo deixará de ser definida em eleições livres.
Um ''poder popular'' será criado, mas sob o comando de grupos organizados e naturalmente partidários do regime ditatorial. Serão os Conselhos Comunais. O Poder Judiciário não terá independência, podendo a Assembléia Nacional (hoje dominada por Hugo Chávez) remover juízes da Corte Suprema. Quem os indicará será o dito ''poder popular''. A política externa chavista será consagrada como preceito constitucional.
Este é o ''novo socialismo'' que Hugo Chávez quer implantar, e o fará se o povo hoje disser sim ao que a Assembléia já estabeleceu. Se o povo declarar não, poderá gerar turbulências na Venezuela, porque Chávez já declarou que quem votar contra será traidor da pátria.





