Vendedor ambulante, o menor dos males
Entre os tantos problemas municipais de maior urgência, não é ação de primeira necessidade a operação da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização-CMTU, em Londrina, contra os vendedores ambulantes. Parece brinquedo de criança fiscais municipais correndo atrás de vendedores de goiabas. Agora a fiscalização anuncia mais uma campanha, para fazer valer o Código de Posturas, que proíbe a venda de produtos em áreas públicas. Se for levar isto a sério, as feiras livres, que a cada dia operam em ruas diferentess e já constituem tradição de 60 anos na cidade, também devem ser suspensas. Da mesma forma deverá ser proibida a venda de pipoca e refresco durante espetáculos ao ar livre. Também não poderia ser permitida a venda de bebidas e amendoins nos estádios. As feiras dos produtores, que ocorrem na praça central, precisariam então mudar de lugar. Idem com as feiras-da-lua, com os mercadores de frutas em pontos diversos das vias públicas e com os vendedores de sanduíches e os garapeiros. Bancas de jornais e revistas, do mesmo modo, não poderiam vender suas mercadorias, pois estão sobre calçadas ou praças. O argumento deve ser que para estas atividades existe a concessão de licença. A fórmula, então, é também licenciar os demais ambulantes e assim os homens da CMTU poderiam ser destinados a missões mais importantes, como impedir aqueles ''guardadores'' de carros que ameaçam, danificam e certamente também roubam veículos. Os vendedores ambulantes são, no mais dos casos, pessoas que não encontram emprego fixo e por isso lutam como podem pela subsistência. Se eles vendem também mercadorias originadas do Paraguai, o volume não vai além dos conteúdos de sacolas, e se este for o ponto fundamental será preciso fechar o camelódromo, instalado pelo poder público municipal e que comercializa em grande escala produtos vindos do vizinho país, não em jamantas, como ocorre em passagens da fronteira, mas por via de sacoleiros. Se os ambulantes são tão vigiados, seria preciso extinguir tudo o mais que existe do gênero. Melhor do que sair ao encalço de vendedores de quinquilharias seria juntar os homens e sincronizar os semáforos, e esta é sim uma útil atribuição da companhia dita de trânsito e urbanização. A onda de assaltos e assassinatos que assola a cidade poderia ser atenuada se o poder público municipal cooperasse no policiamento, principalmente dos bairros pobres. Afinal o município dispõe de um contingente de guardas de uniforme e boné e até agora utilizados principalmente para aplicar multas de trânsito e atender aos supervisores da Guarda Mirim para multar quem ''estoura'' o tempo de estacionamento e assim aplicar penas que vão acima de R$ 50, mais desconto de 3 pontos na carteira de habilitação do motorista ''infrator''. A cidade está invadida por assaltantes e criminosos que, não obstante os problemas sociais, causadores maiores da violência precisam ser contidos, e esta é tarefa de todos os poderes públicos, o municipal incluído. Mas os agentes da Prefeitura ficam na perseguição de vendedores ambulantes os ''capitalistas'' de tostões que mal grave não causam e apenas compõem uma pequena parcela do universo deles, como os mais acima citados.





