Vendaval financeiro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de julho de 2002
Paulo Afonso Rodrigues 
As incertezas impostas no mercado, principalmente pelo contágio argentino e pelas pesquisas eleitorais, sem nos esquecermos do endividamento interno superior a R$ 700 bilhões equivalentes a 55% do PIB e de um aumento substancial de nossa dívida externa, coloca em cheque qualquer economia do mundo, quem dirá uma economia em desaceleração e em fase de reestruturação.
Como se não bastassem todas essas incertezas, surge o mercado internacional dando mostras de que não está gostando dos resultados das pesquisas, bem como de alguns procedimentos políticos que foram adotados.
O FMI ofereceu liquidez quando liberou os US$ 10 bilhões, sacados recentemente, da mesma forma que a liquidez ofertada para 3,5 bilhões de títulos de curto prazo e a redução das reservas de US$ 20 bilhões para US$ 15 bilhões começaram a surtir efeito. Porém, não tão rápido, pois o dólar ainda continua na faixa dos R$ 2,90.
O Banco Central, observando que os bancos eram os maiores compradores, reduziu a oferta de recursos em quase R$ 7 bilhões, quando retornou com o compulsório de depósito a prazo para 10% para enxugar recursos especulativos no mercado.
Temos que ter a consciência, e o mercado sabe disso, que somos o país que mais cresceu em diversas áreas nos últimos dez anos levando-se em conta agricultura, industrializações e explorações de recursos naturais, além de termos registrado um crescimento substancial na educação com a qualidade imposta através de recentes medidas adotadas.
A situação mundial é tão preocupante que o Brasil faz um acordo de comércio de 796 produtos diminuindo tarifas junto com o México e este mesmo México, através do presidente do Banco Central daquele país, Guillermo Ortiz, menciona que o Brasil está contaminando a América Latina com sua economia enfraquecida. Um comentário inoportuno.
Uma contradição já que se o interesse internacional na economia brasileira fosse tão pequeno, não estaríamos recebendo visitas de representantes da Alca que nutrem um interesse máximo no Brasil em participar da área livre de comércio.
Temos crescimento de destaque em soja (segundo maior produtor do mundo), milho, carnes, cana-de-açúcar, suco de laranja, aço, enfim grandes produções que estão se destacando dia a dia a tal ponto do principal executivo do Banco Santander, Francisco Luzón, dizer que não se arrependeu de investir no Brasil, México e também no Chile.
O Banco Central brasileiro está correto na política cambial adotada, injetando dólares na hora certa e reduzindo recursos especulativos dos bancos. Desta forma poderá cumprir a meta de chegar em final de julho com cotações entre R$ 2,70 e R$ 2,75.
Mais uma vez fica provado que atitudes enérgicas no mercado são sentidas até no bolso do especulador em relação ao lucro que planejava alcançar.
PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista e assessor financeiro em Londrina


