A corrupção no círculo governamental é um regime vigorante no Brasil desde os tempos do Império. Estudo publicado põe na conta dos portugueses daquele tempo o ensino dessa prática aos brasileiros vinculados aos serviços da Corte. Porque os homens ''de confiança'' do rei enviados para cá e que, estando tão distantes do controle do reino, deixaram de ser confiáveis fizeram escola. Atribui-se também a eles, segundo o relato citado, o invento do jeitinho, até hoje uma prática muito adotada pelos brasileiros e que quando não envolve corrupção tem os seus aspectos positivos. Mas, nos últimos anos, um verdadeiro vendaval de escândalos assola o País, com uma intensidade nunca vista. Tantas são as denúncias que não há como não acreditar em sua veracidade. O próprio sistema corrompido se encarrega de converter tudo em pizza como diz a linguagem popular. A evidência de tudo ser verdadeiro é o próprio resultado final das investigações e das CPIs, que acabam dando em nada. Óbvio que os corruptos não passam recibo, portanto será muito difícil a apresentação de provas. Porém a ausência delas não dá a garantia de honestidade dos acusados. Agora, verdade ou não porque a empresa contesta surge a acusação contra a Binacional Itaipu, publicada pela revista ''IstoÉ'', em sua última edição. A denúncia partiu de um ex-gerente financeiro da usina, Laércio Pedroso, segundo o qual a Itaipu movimenta bilhões de dólares e não se submete nem às leis do Brasil e nem às do Paraguai, estando como diz imume ao controle do Tribunal de Contas da União e da Receita Federal. O orçamento anual da gigantesca empresa a maior do mundo no setor é de 2 bilhões e meio de dólares. Como a binacional tem duas caixas uma brasileira e outra paraguaia a denúncia envolveria uma caixa-3, nome novo no vocabulário das histórias de corrupção. Enquanto isto, integrantes da CPI dos Correios afirmam que o rombo nos cofres púlicos, por conta de irregularidades nos governos de Lula e FHC, podem ir além de R$ 2,28 bilhões. O maior número de desvios foi encontrado em estatais, destacadamente os Correios e o Brasil Resseguros. O fato desolador é, como declarou o sub-relator Gustavo Fruet, ''a certeza da impunidade''. Esses membros da CPI declaram que é preciso criar leis anti-corrupção mais rigorosas, o que certamente ajudará, mas a questão é de formação individual, e um caminho será o selecionamento dos candidatos a cargos eletivos já a partir dos partidos políticos. Uma tarefa não tão simples, porque esse meio é dominado por velhos caciques e bastante contaminado.

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