Até alguns anos, a disfunção erétil, popularmente chamada de impotência sexual, era um flagelo na vida de muitos homens. Na verdade, em função de uma cultura machista e preconceituosa, a maioria acabava convivendo com o problema sem buscar qualquer tipo de ajuda, afinal não foram educados para admitir que falham na cama. No entanto, quem se mostra inseguro sexualmente, também acaba agindo como uma pessoa insegura ou incapaz de enfrentar diversas situações no seu cotidiano, inclusive a sexual. Geralmente, são homens tristes, angustiados e com grande probabilidade de ter muitas frustrações no seu relacionamento amoroso.
Esse quadro vem mudando radicalmente nos últimos anos, em grande parte graças a uma mudança de mentalidade que começou com a emancipação da mulher, e com a sua preocupação em investir e manter o casamento. Hoje, cada vez mais o homem procura se informar e ouvir a sua companheira. Mas isso ainda é pouco. Boa parte deles evita o exame prostático devido a um medo infundado do toque retal. O câncer prostático é o vice-campeão em óbitos no Brasil e no mundo. Também não fazem check-ups regulares e cultivam péssimos hábitos alimentares, e habitualmente demoram a procurar ajuda medica quando doentes.
Todos esses comportamentos tornam o indivíduo mais doente e menos viril. Segundo as estatísticas mais recentes, existem cerca de 10 milhões de homens com problemas de disfunção erétil no Brasil. Uma pesquisa feita em Salvador pela Fundação Osvaldo Cruz do Ministério da Saúde, com 3 mil homens, entre 40 e 70 anos, revela que 51% deles já apresentou algum tipo de disfunção erétil. Na verdade, o grupo mais atingido é aquele cuja faixa etária se situa entre os 60 e 70 anos. Desses, 60% relataram ter dificuldades na hora do ato sexual, um dado que vale não só para o Brasil, mas confirmado por pesquisas realizadas no Canadá, Inglaterra, Japão e Estados Unidos.
Nos jovens, as complicações na área sexual não passam de 5%. Já a partir dos 40 anos, o número de pessoas com disfunções começam a aumentar. E no grupo mais idoso, entre 70 e 75 anos, 80% têm distúrbios da potência.
Felizmente, nessa virada de milênio a medicina tem feito novas descobertas e, na realidade, só continua impotente quem tem vergonha ou medo de procurar ajuda; pois já se encontram largamente difundidos alguns medicamentos orais, como o popular Viagra, que oferece enormes possibilidades do homem retomar não só a vida sexual como também a afetiva, tornando-se um parceiro melhor para a mulher.
É importante esclarecer que o ejaculador precoce típico não tem nenhum ganho com o Viagra, já que ele possui uma ereção vigorosa. Já os indivíduos que apresentam ejaculação precoce e falhas de ereção simultaneamente, podem ser ajudados com esse medicamento, porque ejaculam rápido justamente por sentirem medo de perder a ereção.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta e autor do livro ''A pílula do prazer''

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