Planos econômicos, arrocho salarial, confisco de poupança, tungada nos fundos de investimentos, puxada dos juros. Os brasileiros têm convivido com um receituário de remédios amargos, esperançosos, muitas vezes, de estar diante da cura dos males do País e convencidos de que fórmulas difíceis de engolir são indispensáveis para um futuro mais tranquilo.
O que se vê e os períodos pré-eleitorais são úteis ao menos para isso é que muitos desses remédios têm sido tomados em vão. Os temas dos candidatos às próximas eleições, que começam a levar às ruas as suas propostas políticas, parece que pararam no tempo. Combate ao desemprego, melhor distribuição de renda, prioridade a programas sociais que diminuam a miséria, atenção à saúde e educação. A coleção de prioridades dos últimos anos vem acrescida, nas campanhas atuais, de medidas para conter a violência, que galopa nos grandes e médios centros urbanos.
Alguns dos nossos males crônicos, o desemprego por exemplo, só têm piorado. Em 1989, o Brasil registrava taxa de 3,4%. Hoje, 7,7% dos trabalhadores estão fora do mercado. O Produto Interno Bruto (PIB), termômetro do nível de produção do País, bateu em 14% há quase 30 anos, em 1973. Em 2002, o governo fala em fechar o ano com miseráveis 2%. A renda média mensal do brasileiro, que atingia R$ 1.206 há cinco anos, estacionou em R$ 784. A indústria brasileira anuncia, na edição de hoje da Folha, que a produção está em queda livre. Registra a maior retração dos últimos sete anos.
Sem muito esforço, o eleitor percebe que estes e outros temas são recorrentes em períodos pré-eleitorais. Se pouco valem para revelar as reais intenções dos futuros governantes, as plataformas devem servir ao menos a isso: deixar claro ao cidadão que os políticos, hábeis em se revezar no exercício do Poder, têm conservado os seus programas de prioridades intactos, prontinhos para o pleito seguinte.
Ruth Meira

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